Entrevista exclusiva com o escritor Nicholas Sparks

Entrevista exclusiva com o escritor Nicholas Sparks

Fenômeno de vendas nas livrarias e famoso por dramas românticos no cinema, Nicholas Sparks está no Brasil para promover a sua mais nova obra Uma Longa Jornada, lançada pela Editora Arqueiro este mês. O escritor já passou por São Paulo e Curitiba, mas o principal evento será na Bienal do Livro no Rio de Janeiro, no dia 31 de agosto, onde o autor se encontrará com os fãs no espaço Conexão Jovem, a partir das 12h. 

Após ganhar o seu primeiro milhão de dólares, com a venda dos direitos sobre Diário de Uma Paixão para Warner, o escritor de 47 anos não se afastou mais do cinema. Apesar dos filmes anteriores Uma Carta de Amor (1999) e Um Amor Para Recordar (2002), o longa protagonizado por Ryan Gosling e Rachel McAdams foi a sua porta de entrada no gosto dos brasileiros. Em seguida, todos os seus antigos livros foram lançados por aqui e os filmes obtiveram significantes bilheterias.

Com oito romances adaptados e mais três a caminhos, Sparks se tornou um dos maiores contribuidores de história para a telona. Atualmente, ele só perde para o outro norte-americano Stephen King. Pensando na relação de Nicholas com o cinema e sua enorme quantidade de fãs no país, o Centro do Cinema realizou uma entrevista exclusiva com autor por telefone. Confira abaixo o descontraído bate-papo com o vendedor de mais de 90 milhões de títulos.

Núcleo do Cinema: O livro Uma Longa Jornada acabou de ser lançado e já foi confirmado o filme. O que isso significa para você?

Nicholas Sparks: Eu gosto bastante. Acredito que essa é uma maravilhosa maneira de permitir que mais pessoas conheçam as minhas histórias e até mesmo comecem a ler os livros, para ter contato com os personagens de diferentes maneiras. Se elas têm uma boa experiência com a história no cinema, vão procurar por mais depois.

Núcleo do Cinema: Atualmente, você considera que escreve livros para o cinema?

Nicholas Sparks: Não. Eu penso na história somente para o livro. É uma outra coisa no filme, nem tudo fica bom no cinema. Quando eu começo a escrever é apenas para o romance. Eu nunca sei no que poderá se transformar depois.

Núcleo do Cinema: Você já escreveu um roteiro para o cinema em A Última Música, não é verdade?

Nicholas Sparks: Uau, isso faz muito tempo. Eu aproveitei um momento vago para escrevê-lo, no entanto, não o faço frequentemente porque não tenho mais tanta disponibilidade. Escrever roteiro é mais prático, no entanto, já tenho muitas outras coisas para fazer. Eu até gosto, mas entre escrever romances, produzir os filmes e realizar um programa de televisão não sobra espaço para mais nada.

Núcleo do Cinema: Você disse que escrever um roteiro é mais fácil. Você não pensa em fazê-lo novamente?

Nicholas Sparks: Provavelmente. Com certeza no futuro, eu gosto muito de escrever roteiros.

Núcleo do Cinema: Um original?

Nicholas Sparks: Sim. Eu já escrevi um roteiro original, mas não deu em nada.

Núcleo do Cinema: Você também atua como produtor. Como é relacionar esse trabalho com sua carreira de escritor?

Eu produzi Um Porto Seguro (2013), meu último filme lançado, e estou na produção cinematográfica de O Melhor de Mim, Uma Longa Jornada e A Escolha, além do meu programa para televisão. Eu adoro produzir porque me mantém envolvido com o roteirista, o diretor e o elenco, também me permite ir ao set ver como as coisas estão sendo feitas. É algo que me deixa contente.

Núcleo do Cinema: Como é a sua relação com eles você dá muitas opiniões sobre o elenco ou como as coisas devem ser?

Nicholas Sparks: Não faço interversões. Minha voz é importante em todo o processo, entretanto, o diretor tem voz, os outros produtores também, assim como o estúdio. Todos nós trabalhamos muito bem juntos, porque nós queremos fazer o melhor filme possível.

Núcleo do Cinema: Você já escolheu algum ator ou atriz para os seus filmes?

Nicholas Sparks: Não. O estúdio indica a equipe primeiro e os produtores são informados. Então o roteirista, que conhece a história, convida os produtores para opinar e melhorar o roteiro. Depois, o texto vai para o diretor e ele é o primeiro a começar a escalar as atores para embarcarem no projeto. Portanto, é um longo caminho desde o que o roteirista faz até o diretor anexar outras pessoas. Em O Melhor de Mim, o próximo filme a ser lançado, os roteiristas trabalharam juntos com o diretor para escolher o elenco.

Núcleo do Cinema: Você me falou antes sobre A Escolha, já está confirmada a adaptação para o cinema?

Nicholas Sparks: Sim, em breve. Já contratamos um roteirista e eu acredito que o roteiro esteja pronto no final deste ano.

Núcleo do Cinema: Você tem uma data de lançamento?

Nicholas Sparks: Não tenho nenhuma data. Eu acredito que o lançamento de Uma Longa Jornada será em fevereiro de 2015. O próximo O Melhor de Mim sai um pouco antes disso, talvez em novembro de 2014, mas eu não tenho certeza sobre essas previsões. Já sobre A Escolha eu não faço ideia.

Núcleo do Cinema: Não sabia sobre o filme A Escolha (2008). Você planeja adaptar os seus romances mais antigos?

Nicholas Sparks: Bem, agora, há três filmes em fase de produção para o próximo ano e isso já me mantém bastante ocupado (risos). Então, eu não sei qual livro será o próximo, se será o que eu ainda vou escrever ou um dos antigos. Simplesmente, eu não sei! Já há muita coisa para pensar e para fazer.

Núcleo do Cinema: Sobre o seu seriado Deliverance Creeks como estão as coisas?

Nicholas Sparks: O programa está indo muito bem. Estamos perto de conseguir um diretor e completar o elenco, além disso, vamos começar a filmar no dia 4 de novembro. Possivelmente, o piloto vai sair na primavera [em meados de março], mas vamos ver o que acontece.

[O seriado é ambientado no final da Guerra Civil e acompanha a protagonista Belle Barlowe. Ela tenta defender as terras de sua família, enquanto um banco corrupto a força se tornar uma fora-da-lei. Na trama, Belle se questiona se é melhor ser honesta ou sobreviver.]

Núcleo do Cinema: Com tantos projetos próprios você já pensou em mudar de posição e dirigir ou atuar em algum deles?

Nicholas Sparks: Eu nunca vou dirigir ou ser um ator. Bem, são habilidades que eu teria que desenvolver e eu não tenho a desenvoltura necessária (risos). Na verdade, não gostaria de ser diretor, estou feliz como escritor e produtor apenas.

Núcleo do Cinema: Alguns autores não gostam de assistir as suas histórias modificadas no cinema. Você já teve algum problema com isso?

Nicholas Sparks: Eu sempre gostei dos roteiros adaptados e adoro todos os filmes, além disso, tenho um bom relacionamento com Hollywood. Nunca tive nenhum problema com modificações, até porque eu permiti todas as mudanças nas histórias. No final, a maioria dos filmes é bem fiel às histórias e aos personagens, as diferenças são feitas um pouquinho ali ou aqui. Para mim, se a produção captar o espírito do livro e as características dos personagens será um ótimo filme. Por isso, não tenho nenhuma reclamação.

Núcleo do Cinema: Entre todas as adaptações dos seus livros, você tem uma favorita?

Nicholas Sparks: Não. Eu fiquei muito contente com todas. Mas uma provavelmente vai se tornar um clássico, que é Diário de Uma Paixão. Isso porque passa na TV a cabo o tempo todo e a maioria das pessoas tem a chance de vê e revê-lo. Ele é o mais indicado a ser tornar um clássico. Realmente, fizeram um ótimo trabalho, os espectadores o assistem repetidas vezes. Acho que é um filme que vai ultrapassar o tempo, além disso, os atores estão muito bem e o diretor fez um trabalho maravilhoso. O filme é bonito e as pessoas gostam da história.

Núcleo do Cinema: Essa é a sua primeira vez no Brasil?

Nicholas Sparks: Na verdade, não. Eu estive aqui alguns anos atrás e tive momentos maravilhosos, o que me fez voltar ao país desta vez. Esta noite vou estar em São Paulo [28 de agosto], amanhã em Curitiba [29 de agosto] e sábado [31 de agosto] no Rio de Janeiro. Estou tentando encontrar todos os meus leitores.

Núcleo do Cinema: Você pode destacar alguma diferença dos brasileiros para os seus outros leitores?

Nicholas Sparks: Há uma diferença. No Brasil, os meus leitores costumam ser mais novos do que nos Estados Unidos. Acredito que a razão disso é que os meus livros ficaram populares aqui recentemente por causa dos filmes. Mas eles não são apenas adolescentes no Brasil, a média é entre os 20 e 30 anos, enquanto nos Estados Unidos, eles têm entre os 30 e 40 anos. Mas a mesma coisa acontece com os filipinos, canadenses, italianos e britânicos. O meu público é bem mais novo ao redor do mundo.

Núcleo do Cinema: Como foi a sua última passagem no Brasil?

Nicholas Sparks: Ah… aproveitei meu tempo livre em São Paulo, visitei alguns lugares no Rio de Janeiro e Curitiba. Eu gostei muito dos momentos em que passei aqui, porque as pessoas são muito amigáveis e foi maravilhoso conhecer os leitores e tirar muitas fotos com eles. Eu me diverti bastante.

Núcleo do Cinema: Eu sei que Uma Longa Jornada acabou de sair, mas você já começou a escrever uma nova história? Alguma coisa diferente?

Nicholas Sparks: Sim. O meu próximo livro está 30% pronto. Eu tento fazer todas as minhas histórias um pouco diferentes. Não quero que quando as pessoas leem o livro ou vejam o filme tenham a sensação de que já viram isso antes. Por exemplo, em Um Porto Seguro, eu inseri um elemento de suspense, enquanto que em Uma Longa Jornada existem duas histórias de amor, entre Ruth e Ira e entre Luke e Sofia. Tento trazer sempre um elemento diferente para que as pessoas gostem do filme ou do livro, sem a sensação de déjà vu.

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