Crítica | Planeta dos Macacos: O Confronto

Crítica | Planeta dos Macacos: O Confronto

Baseada no romance do francês Pierre Boulle de 1963, a história da dominação dos primatas símios sobre os humanos já rendeu três adaptações distintas, continuações e seriados. Ainda assim, a crítica social sobre a ação do homem e a sua própria destruição continua a instigar os espectadores através das décadas e nos contempla, ao mesmo tempo em que assusta, com a plausível possibilidade da nossa extinção.

Se você gostou de Planeta dos Macacos: a Origem (2011), com certeza vai adorar esta sequência. Três anos atrás, o diretor Rupert Wyatt e os roteiristas do projeto deram um novo viés para antiga história. A partir do relacionamento do pequeno chimpanzé de laboratório Caeser (Andy Serkis) com seu dono Will Rodman (James Franco), o enredo explicou todo o desenvolvimento dos macacos por meio de mutação genética e a sua intensificação até ganhar proporções incomensuráveis.

Assim, Wyatt deixa para o seu sucessor Matt Reeves contar a história da evolução da espécie, após 10 anos da revolta do primeiro filme. Durante o período, a humanidade foi assolada por um vírus vindo da combinação do DNA dos macacos com substâncias de laboratório que dizimou grande parte da população mundial. Apenas os imunes à doença sobreviveram e tentam se reerguer em um mundo assolado pela escassez de suplementos e energia.

Logo de início, conhecemos o novo habitat e a constituição familiar de Caeser. Toda produção é excelente, as expressões dos personagens são ótimas, assim como seus movimentos, mesmo quando estão montados em cavalos. Os símios respeitam Caeser como líder e vivem em harmonia, com uma avançada comunicação por sinais e também pela fala. A paz reina até que um dia dois chimpanzés se depararam com humanos na floresta e um deles lhe acertar um tiro.

O líder Caeser evita o conflito, no entanto, os símios vão até a cidade para mandar um recado: não entre nas minhas terras, que eu não mexo com vocês. Por outro lado, o que os humanos mais querem é reativar uma usina perto do lar dos macacos. Por meio de ideias maniqueístas, o roteiro é construído com o propósito de mostrar que somos mais semelhantes a eles do que imaginávamos, pois os sentimentos de revolta, vingança e sobrevivência estão presentes em ambas as espécies. Mas também podemos conviver de maneira harmoniosa.

Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes) reúne muita ação e prepara o público pouco a pouco para o ápice do confronto, esmiuçando cada ponto para a deflagração da guerra. Cada parte é bem moldada e alinhada com os propósitos da história, em raros momentos a computação gráfica soa estranha, podemos dizer um ou dois. Fora isso, a sua competência é magnífica e a parte final é de uma imersão absurda, comparada aos maiores filmes de guerra.

Os personagens são muito bem construídos, Koba (Toby Kebbell), Maurice (Karin Konoval), Caeser e sua família têm personalidades muito bem definidas e identificáveis. Algumas cenas invadem o nosso imaginário de tal maneira que nos pegamos pensando como viveríamos nestas circunstâncias, ou pior (?), torcendo pelo grupo de Caeser. A cena de Koba, o grande antagonista da narrativa, no taque de guerra é de um lirismo poucas vezes visto num filme de ficção científica.

Planeta dos Macacos: O Confronto é inebriante, tira fôlego e é impossível não se impressionar. Além de todo aparato técnico, perfeitamente realizado, o fator crítico e político se sobressai e se faz retumbante aos ouvidos mais atentos. Essa refilmagem traz tudo que as produções anteriores ficaram devendo à nossa imaginação. O filme nos prende e nos conduz de maneira satisfatória e cheia de expectativas para assistirmos a sua próxima etapa.

Nota: 5

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