Crítica | Transformers: A Era da Extinção

Crítica | Transformers: A Era da Extinção

Explosões, destruição, explosões, tiros, tiros, mais tiros, robôs contra robôs, robôs montados em dinossauros, explosões, cidades arruinadas, personagens principais sãos e salvos, com algumas manchinhas de sujeira. Essa descrição resume bem o que é Transformers: A Era da Extinção, esculpido pela quarta vez por Michael Bay, que sabe exatamente o que o seu público quer e deseja ver no cinema.

O problema de filmes de ação e destruição em massa para o deleite e catarse do espectador é se levar a sério. Se o roteiro embarcasse no divertimento e no absurdo das situações tudo seria muito melhor construído e aceito. Digo isso porque a trama entre pai e filha, Mark Wahlberg e Nicola Peltz, por causa do namorado secreto Shane (Jack Reynor) é pífia demais. Os diálogos entre eles são as piores partes do longa, chega a ser constrangedor alguns comentários.

No início do filme, o personagem Lucas (T.J. Miller), amigo do protagonista, dá uma margem humorística necessária para o clima mítico dos Autobots, no entanto, ele não é aproveitado. Sobra para Wahlberg e os dois adolescentes darem graça ao filme, o que não funciona. Não há muito o que falar dos jovens atores, eles são apenas um casal sem carisma. Para salvar as partes sem os robôs e os seres intergalácticos, Staley Tucci se apresenta como um empresário inescrupuloso, egocentrista, nervosinho e bobalhão. É necessário juntar todas essas características para desenvolver um vilão com queda para o lado bom da força no final.

Calçado nos acontecimentos do último filme, Transformers: O Lado Oculto da Lua (2011), a continuação mostra como a população está depois da invasão alienígena a Chicago e como o governo lida com a situação. Por outro lado, a representação política norte-americana é pura piada, desde o secretário de segurança até as naves sobrevoando o país sem nenhum conhecimento estatal. Esses detalhes de enredo, personagens ou motivações dos mesmos são rasamente desenvolvidos. Afinal, ninguém quer saber.

Os espectadores de Transformers: A Era da Extinção querem ver Optimus Prime, líder do Autobots, se reerguer junto com sua equipe e iniciar mais um confronto contra seres indeterminados de outro sistema solar, enquanto questiona sua promessa de não matar os seres humanos. A partir dessa premissa, o mecânico/engenheiro Cade Yeager (Wahlberg) dá até conselhos sobre a vida para o poderoso Autobot. O objetivo era alinhar humor e ação, entretanto, o segundo se sobressai com louvor.

É inquestionável a habilidade de Michael Bay para filmes deste porte, com o propósito básico de destruir tudo que tiver pelo caminho. Além disso, ele concebe lutas inimagináveis, tal como Walhberg medindo forças com o alienígena que derrotou vários Autobots e foi responsável pela extinção dos dinossauros. As cenas de batalhas, contudo, são um espetáculo visual e sonoro. 

O longa, com certeza, concorrerá estatuetas douradas por mixagem e edição de som. Conjugado à música da banda Imagine Dragons, então, o cenário da batalha final é perfeito. Em contrapartida, com quase três horas de duração, Transformers 4 se prolonga demais por causa de cenas repetitivas e diálogos dispensáveis. Mais uma vez o entretenimento digital ganha no lugar de boa história e, infelizmente, deve se concretizar como um dos filmes mais vistos de 2014.

Nota: 2.5

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