Comédia dramática de Matheus Souza, com Clarice Falcão e Rodrigo Pandolfo

Comédia dramática de Matheus Souza, com Clarice Falcão e Rodrigo Pandolfo

Após cinco anos do sucesso da comédia romântica Apenas o Fim, Matheus Souza volta às telonas como diretor e roteirista para comprovar que o filme anterior não foi sorte de principiante. Com 20 anos e R$ 8 mil, o jovem cineasta levou 25 mil pessoas aos cinemas, foi destaque no Festival do Rio, São Paulo, Roterdã e conquistou muitos fãs com um humor inteligente e referências do mundo pop. Um começo e tanto para estudante recém-saído da faculdade de cinema.

Agora, Matheus tenta se firmar nesse frágil meio profissional brasileiro. Com o orçamento um pouco mais elevado, algo em torno de R$ 20 mil, a pequena obra de grande título, Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida, conta com nomes conhecidos do grande público, como Clarice Falcão (da websérie Porta dos Fundos), Rodrigo Pandolfo (Minha Mãe é uma Peça), Nelson Freitas (O Concurso) e Gregório Duvivier (Vai que Dá certo), além de artistas de peso como Leandro Hassum (Até que a Sorte nos Separe 2) e Daniel Filho (Confissões de Adolescente).

Produção de elenco

Em apenas duas semanas, Matheus reuniu elenco e produção para gravar em diversos pontos do Rio de Janeiro. A nova comédia, com tom dramático, conta a história de Clara, uma jovem estudante de Medicina (Clarice Falcão), que mata aula todo dia por não saber qual é sua verdadeira vocação. A confusão da protagonista é uma metáfora da vida do próprio autor, que transformou suas dúvidas em arte.

“Eu não sabia se queria fazer comédia, drama ou umas coisas estranhas. Só queria fazer um filme e falar dos meus sentimentos. Um dia, estava tão perdido, olhei no espelho e falei: ‘eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida’. Daí veio tudo. Comecei a falar sobre o que eu sentia, a conversar com os amigos e todo mundo estava perdido de certa forma”, explica o diretor Matheus Souza sobre a sua inspiração.

A frase intuitiva se tornou título e norte do seu novo trabalho. O modelo cômico e as referências do mundo pop estão novamente em sua obra, no entanto, dessa vez Matheus defende um ideal maior para seus personagens. “A ideia é fazer pensar. Hoje, 98% das produções para jovens no Brasil subestimam a inteligência dele. Quero que o jovem assista alguma coisa e se sinta desafiado para entender o que é aquilo. Pense sobre o que viu depois e reflita”, afirma Souza.

Baixo orçamento, grandes ideias

Com esse propósito, Matheus não pensa em mudar sua linguagem ou abordagem, apenas deseja aumentar o orçamento das suas obras. Os protagonistas Clarice e Rodrigo, assim como os participantes especiais, não tiveram cachê. “É um filme de aprendizado, a equipe toda estava trabalhando de graça e empolgada com o projeto, queriam aprender a fazer cinema. Fiz cinema na faculdade e as aulas são pouco práticas. Você chega ao mercado de trabalho muito despreparado. São experiências como essa que fazem a gente sentir como é”, defende Clarice Falcão.

Junto com o elenco, os responsáveis pela produção eram estudantes universitários, experimentando a montagem do seu primeiro filme. A grana do projeto veio do pagamento de um roteiro encomendado para Matheus. Com o dinheiro na mão, sua prioridade foi a resolução do filme. O jovem cineasta ressalta que deixou de pagar as contas e teve a luz cortada. “Eu tentei argumentar com o cara da Light que ele estava sabotando o cinema nacional, mas não deu certo”, brinca o diretor.

Já a preparação para o lançamento foi a parte mais demorada do processo. Após apresentações minguadas no Festival do Rio e Gramado em 2012, o filme dependia de uma distribuidora interessada. Para isso, Matheus se inscreveu num edital de distribuição e se juntou a Vitrine Filmes, responsável pelo barulho do longa O Som ao Redor (2013). No segundo semestre deste ano, saiu o resultado do edital e o filme foi lançado depois de dois anos de concluído.

Temas diferentes no cinema nacional

Sem tempo para preparação, os dois protagonistas conseguiram encontrar um bom entrosamento em cena. Rodrigo vive Guilherme, um misterioso rapaz que busca ajudar Clara na definição de sua profissão e em outros departamentos de sua vida. “É muito legal fazer um filme sem verba, a verdade é essa.”, declara Rodrigo Pandolfo, grande estrela do cinema nacional este com passagens por Faroeste Caboclo, O Concurso e Minha Mãe é um Peça, em papéis totalmente díspares.

“Foi quase uma reunião de amigos. A lógica era pegar uma câmera e ver no que dá. Para mim, este filme alternativo é uma agulha no palheiro no cinema brasileiro”, resume Pandolfo. O ator confessou que se identificou com o filme e, por isso, aceitou o papel antes mesmo de terminar todo o roteiro. “É uma metáfora da vida real, não só pelo lado profissional, mas, sobretudo, em relação ao que eu vou fazer. A grande pergunta é: o que eu tô fazendo da minha vida?”, ressalta o ator.

Apesar da demora de cinco anos para voltar ao cinema, Matheus não ficou estagnado. Ele dirigiu as peças teatrais Stand Up e As Coisas que Fizemos e Não Fizemos, além de comandar e roteirizar a nova adaptação de Confissões de Adolescente para os palcos. Logo depois, surgiu o convite para transformá-la numa longa-metragem – com lançamento marcado para 10 de janeiro. Na televisão, ele coroteirizou e dirigiu a série Vende-se Cadeiras, da Multishow.

Diretor jovem, voz de uma geração

De certa forma, Matheus se tornou uma espécie de consultor para produções voltadas ao público jovem. “Eu tenho 25 anos, sou sempre limitado pela minha idade. Não sei fazer filmes mais complexos sobre outras faixas etárias. Fico limitado ao que eu conheço dos meus pais, da minha família e amigos”. Já Clarisse defende e define a proposta do longa, como “jovem, mas despretensioso. Existem filmes que forçam muito para falar com o jovem e a coisa fica falsa, acaba que o público almejado rejeita”.

Para 2014, Matheus planeja sua maior produção cinematográfica com a produção da Conspiração Filmes. O projeto tem o título provisório de Servidor Não Encontrado e terá orçamento de grande produção. Antes de embarcar nesse novo desafio, em janeiro, o cineasta-mirim (como o próprio se definiu) termina a sua trilogia de baixo orçamento com o bromance Tamo Junto, com características de O Virgem de 40 Anos (2005) e American Pie (1999).

“Acho muito legal fazer filmes que abraçam as pessoas que te dizem você não está sozinho no mundo, que te acalentam.”, finaliza Matheus com o pensamento em seus próximos projetos.

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