Crítica | João e Maria: Caçadores de Bruxas

Crítica | João e Maria: Caçadores de Bruxas

Mais uma vez, a indústria americana traz para o cinema a releitura de um clássico infantil voltado para maiores de idade. Os produtores de João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel and Gretel: Witch Hunters) bebeu copiosamente na fonte de Branca de Neve e o Caçador, A Garota da Capa Vermelha e, do futuro, Jack – O Matador de Gigantes. O que esses filmes têm em comum? Falta de originalidade.

Readaptar contos de fadas virou moda em Hollywood. Parece que quando as pessoas já conhecem a história, não há preocupação com roteiro, edição e elenco. Em João e Maria, a única importância do diretor norueguês Tommy Wirkola foi fazer voar galhos, pedaços de corpos e jorrar sangue, valorizando a tecnologia 3D. Como drama, a história é terrivelmente explorada. A primeira sequência do filme exigia uma narrativa para demonstrar a passagem do tempo, mas os roteiristas acharam melhor poupar reflexão sobre a história e partir para violência.

O filme inteiro é pancadaria, mas sem o glamour dos duelos nos filmes de luta, é só massacre e corpos sendo despedaçados. É claro, que esse tipo de filme diverte as pessoas, é um processo catártico de violência para o espectador sentado na cadeira do cinema. No entanto, se tratando de um filme estimado em US$ 60 milhões devíamos esperar mais da produção. Apesar de trazer no elenco o já indicado ao Oscar Jeremy Renner, o ator não ajuda, na verdade, não apresenta nada que lembre suas atuações em Guerra ao Terror (2008) ou Atração Perigosa (2010).

Já a intérprete de Maria, Gemma Arterton, consegue ser pior. A atriz não muda de expressão o filme inteiro, nem para chorar. Ela atua com cara de mulher metida, levantando a sobrancelha e arrebitando o nariz. O péssimo roteiro é uma questão à parte, uma vez que a proposta do filme não é fazer o espectador refletir e sim presenciar um derramamento de sangue.

A maquiagem das bruxas também é sofrível, parece que voltamos aos anos de 1980, em que os monstros eram aquelas caricaturas de borracha. No final, quando aparecem muitas bruxas reunidas, o defeito na maquiagem é evidente. Com tanto recurso em 3D não dava para caprichar um pouco mais nesse detalhe? Para finalizar, o longa conta ainda com a presença de um troll chamado Edward, quando ele pronuncia o seu nome é o momento mais engraçado do filme.

Com muitas cenas implausíveis e edição mal estruturada, João e Maria – Caçadores de Bruxas conta como foi o crescimento dos irmão e tenta desvendar o motivo para os pais terem abandonado as duas crianças na floresta, dissolvendo todo o conta de fadas e a moral da história. Os objetivos dos personagens soam tão falsos, que não podemos desejar nada além de muitas mortes engraçadas. O filme de Tommy Wirkola é mais uma comédia de erros do que qualquer outro gênero. Se for assistir no cinema, vale a pena vê-lo em 3D.

Nota: 2

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