Crítica | Os Miseráveis

Crítica | Os Miseráveis

A adaptação do musical da Broadway baseada na obra de Victor Hugo é esplendorosa. Os Miseráveis do diretor Tom Hooper (O Discurso do Rei) é admirável pela sua composição e ousadia de fazer um filme totalmente cantado. Com toda a história transmitida por meio das canções, o filme sofre com um roteiro meio trôpego que não estabelece limites temporais aos personagens nem as motivações de cada um.

Quem quiser conhecer a história do dramaturgo francês vai se sentir perdido nos acontecimentos atropelados, em contrapartida os que curtem o espetáculo de sons e imagens ficará deslumbrado com a rapidez dos fatos. A história se passa na França do século XIX, dominada por uma monarquia tirana, enquanto o povo vivia na sarjeta e morria de fome nas ruas. Os cinco volumes da obra contam a história de Jean Valjean (Hugh Jackman), um ex-presidiário em liberdade condicional, lutando para sobreviver a seu estigma de ex-condenado perigoso por ter roubado um pão.

Após encontrar com um padre caridoso Valjean aprende uma lição e decide ser um homem honesto. Para seguir essa vida, ele muda de identidade algumas vezes. No seu caminho cruza a pobre Fantine (Anne Hathaway), que foi abandonada grávida e sua filha Cosette é cuidada pelo casal de mercenários Thénardier (Helena Bonham Cater e Sasha Baron Cohen). Como prefeito Medeleine, Jean se vê culpado pela menina órfã e passa a cuidar dela. No entanto, no seu encalço surge o inspetor da polícia Javert (Russel Crowe).

Apesar da história de Fantine ser contada rapidamente, Anne está maravilhosa no papel e encanta a plateia com sua interpretação da canção I Dreamed a Dream. Parte do elenco é excelente como Hugh Jackman, Anne Hathaway, Samantha Barks (Éponine) e Russel Crowe, apesar de o último ser mais contido na hora de soltar a voz.  Por outro lado, Amanda Seyfried (Cosette) e Eddie Redmayne (Marius) não rendem o suficiente para transmitir a dramaticidade necessária da história.

Cosette é um dos papéis mais importantes da narrativa, entretanto, sua intérprete aparece apagada e a rival Éponine brilha mil vezes mais. Outro erro de elenco é do jovem Redmayne, Marius é um estudante guerreiro, a composição do personagem nada lembra o príncipe encantado e o galã desta história. O pequeno Gavroche (Daniel Huttlestone) é sensacional e rouba todas as cenas na barricada de batalha. Helena Bonham e Sasha Baron estão ótimos como o casal de malfeitores, trazendo um tom cômico para o drama de maneira bem dosada.

As canções são ótimas, mas o enredo fica perdido. Repito, se o espectador não conhece história, não fica clara a paixão de Éponine por Marius e, muito menos, como Jean Valjean criou Cosette. Quando acaba a batalha, resta o sentimento de embromação e o filme perde o time que seguia. A história antes corrida, de repente, passa a se arrastar em mais de 30 minutos nos últimos dias de vida de Jean Valjean. Os Miseráveis é um belo registro de época com cenas forte e atuações espetaculares dos atores principais, mas destoa em alguns pontos.

 Nota: 3.5

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