Crítica | Mama

Crítica | Mama

A premissa do suspense Mama é bastante interessante. Duas meninas são deixadas sozinhas numa cabana na floresta e, sem explicação aparente, elas conseguem sobreviver durante cinco anos. Após uma longa busca, o tio Lucas (Nicolaj Coster-Waldau) as encontra e leva para viver com ele e sua namorada Annabel (Jessica Chastain), no entanto, as meninas precisam se habituar a vida social e abandonar antigos costumes.

Apenas a descrição acima já pressupõe mistério e suspense suficiente para levar o público ao cinema. Contudo, o caminho escolhido para contar a história compromete grande parte da fantasia e da imaginação do espectador. De maneira bem literal, os estreantes roteiristas Neil Cross, Barbara Muschietti e Andrés Muschietti – o último também diretor -, escolhem contar passo a passo a chegada das meninas na cabana, os motivos delas terem ficado lá e como elas passaram a viver.

Esse tipo de abordagem tira um pouco do mistério da história. Por outro lado, as pequenas atrizes Megan Charpentier (Victoria) e Isabelle Nélisse (Lilly) estão maravilhosas em seus papéis. Os trejeitos de animal selvagem da pequena Lilly são tão reais, que não duvidamos da precedência do tipo de vida das meninas. Imagine uma criança de um ano sozinha numa floresta, como ela vai se desenvolver?

A maneira de retratar como elas se tornaram selvagens é bem moldada no filme, o que também possibilita diversas cenas de sustos e suspense. A personagem de Jessica Chastain cresce durante a trama, mas passa longe da sua atuação em A Hora Mais Escura. Mesmo assim, Annabel tem um papel ativo e decisivo na história. A construção do seu relacionamento com as meninas transmite veracidade e chega a emocionar na reta final.

Com a ajuda de Guilherme Del Toro, o curta Mamá conseguiu se transformar neste longa-metragem, entretanto, seu crescimento fez a história se encher de clichês do gênero. Alguns fatos são muito, mais muito, batidos, como o psicólogo ir à biblioteca da cidade e encontrar uma notícia de um crime relacionado com a história e, logo em seguida, saber o que fazer para deter o espírito/entidade/fantasma, que persegue as meninas.

Além disso, o desenvolvimento dos sonhos, pesadelos e perseguições segue o padrão de outras tramas. Quando a Mama realmente aparece, os efeitos visuais têm um caráter catártico e humorístico, que é difícil levar a sério o restante da sequência. Até a maneira como os últimos minutos são conduzidos transformam a desfecho num lenga-lenga de gritinhos e rostos apavorados.

Mama é um filme de terror com uma premissa original, mas uma execução simples e popular, que deixa uma ótima história de horror psicológico quase escorrer pelas mãos. Apesar de lembrar O Chamado (2002) em certas ocasiões, o filme não consegue envolver o público da mesma maneira, mas ainda provoca algumas surpresas.

Nota: 3

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