Crítica | 2 Dias em Nova York

Crítica | 2 Dias em Nova York

Julie Delpy volta a atuar, dirigir, escrever e produzir em 2 Dias em Nova York (2 Days in New York), tido com uma continuação de 2 Dias em Paris (2007). No entanto, a nova produção está longe do conceito da primeira abordagem da artista francesa. Distante do humor natural e sofisticado do primeiro filme, a “sequência” provoca situações improváveis e, às vezes, esdrúxulas para gerar risadas.

A fotógrafa Marion (Julie Delpy) se separou de Jack, interpretado por Adam Goldberg no primeiro filme, e o fruto do relacionamento deles é o pequeno Lulu (Owen Shipman). O pai da criança não aparece nenhum momento no longa, sendo substituído por Mingus (Chris Rock), atual namorado da protagonista.

No início da narrativa, Marion desabafa para Mingus seus problemas de relacionamento e as prováveis razões da separação. A partir desse momento, eles começam a sair e passam a viver juntos com seus os filhos, Lulu e Willow (Talen Riley). A harmonia familiar ameaça ser quebrada com a chegada do pai (Albert Delpy), a irmã Rose (Alexia Landeau) e o ex-namorada/atual cunhado Manu (Alex Nahon) de Marion.

O peculiar do filme fica por conta da característica de Julie Delpy de narrar os acontecimentos de forma analítica, além do mais, os pensamentos de Marion estão muito bem ilustrados na história. Em contrapartida, as atrapalhadas entre as línguas francesa e inglesa, o preconceito sobre as diferenças culturais e a intolerância são situações ressaltadas no filme – que tentam ser divertidas – , mas apenas afasta o espectador de uma história mais envolvente.

A irmã tarada e o ex-namorado sem-noção estão longe de serem engraçados, tanto que quando ele desaparece da história o espectador fica contente. As cenas de uso de drogas e o sexo são clichês e não apresentam nada de relevante para a narrativa. As brigas entre irmãs são infantis e mesmo que esse tenha sido o objetivo de Julie, esperávamos um pouco mais dela.

Chris Rock forma um casal totalmente improvável com Julie Delpy, mas isso é o menos estranho do filme. A admiração de Mingus por Barack Obama é forçosa, isto é, ele admira somente porque o líder do estado é negro como ele. Além disso, as conversas com o pôster do atual presidente dos Estados Unidos não são engraçadas nem reflexivas.

Com a morte da mãe de Julie, acredito que o filme seja uma grande homenagem a ela, o que é comentado durante a narrativa fictícia. A crise existencial da maturidade podia ser muito mais explorada, entretanto, a artista deixou para suas outras produções. Uma das melhores cenas fica por conta da participação especial de Vicent Gallo – como ele mesmo – discutindo com Marion sobre a compra de sua alma.

Se tivesse mais cenas assim e menos fumaça de maconha no elevador, talvez a graça pretendida pelo filme fosse conquistada. São muito boas as elucubrações mentais de Marion, ponto alto dos filmes de Julie Delpy. No entanto, 2 Dias em Nova York explora pouco as diversidades e análises culturais para se encostar em constatações populares e, por muitas vezes, pré-conceituais. 

Nota: 3

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