Crítica | 2 mais 2

Crítica | 2 mais 2

O tema swing, normalmente tratado as surdinas ou de forma vulgar, ganha uma nova abordagem nas mãos do argentino Diego Kaplan e dos roteiristas Daniel Cúparo e Juan Vera. 2 mais 2 apresenta a popularmente conhecida “troca de casais” de forma irreverente, mas sem esquecer de abordar as consequências que a prática pode oferecer.

Aos 40 anos e com um filho de 14 anos, Diego (Adrián Suar) e Emília (Julieta Díaz) levam uma vida família organizada, igual à maioria das pessoas. Com o passar dos anos, o sexo no relacionamento é regular e não sugere mais novidades. Até que um dia o casal de amigos deles, Betina (Carla Peterson) e Richard (Juan Minujin), confessa que é praticante de swing.

A notícia impressiona Emília que tenta convencer o marido a adotar a prática tão normal para os amigos. As dúvidas, as inseguranças e as motivações dos personagens são apresentadas de maneira adequada e engraçada, que promove, além do divertimento, uma identificação com o público. Afinal, que casal nunca teve alguma fantasia?

Apesar da temática polêmica socialmente, o diretor desenvolve uma abordagem leve e com um humor nenhum pouco apelativo. Os grandes méritos da produção são os personagens carismáticos e a construção sensível e dramática da história. O quarteto principal de atores está muito bem e a química entre eles torna as cenas mais envolventes para o espectador.

Apesar de ser voltado para a sexualidade, o filme consegue falar de vários outros aspectos de forma profunda, como amizade, lealdade e superação. De maneira sábia, o mito do swing é descortinado e mostra que em qualquer idade o sexo ainda pode surpreender o ser humano.

Longe de entrar no debate sobre certo ou errado, Kaplan escolhe mostrar quanto uma nova experiência pode ser frustrante ou enriquecedor, no entanto, depende somente dos sujeitos envolvidos na ação. Engana-se quem pensa que o filme é um incentivo à prática. 2 mais 2 é um ótima obra de comédia argentina, que não chega a ser genial, mas consegue entreter, comover e – por que não? – refletir sobre o assunto.

Nota: 3.5

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