Crítica | Além do Arco-Íris

Crítica | Além do Arco-Íris

Com a fórmula de histórias entrecortadas que em algum ponto vão se unir, Agnès Jaoui compõe uma comédia romântica mediada por diversos contos de fada. Além do Arco-Íris (Au Bout Du Conte) tem uma premissa interessante, no entanto, capenga na junção de todos os seus elementos, principalmente na construção dos personagens e no envolvimento do público com eles.

O longa começa lento apresentando os anseios e as dificuldades de cada ponto da história. Nesta mistura está Laura (Agathe Bonitzer), uma jovem de 24 anos, em busca do amor da sua vida até que encontra o compositor Sandro (Arthur Dupont) numa festa e se apaixonam. Entre desencontros e reencontros, os dois ficam juntos e sonham em ser para sempre.

No entanto, como nos contos de fadas os protagonistas têm que ultrapassar algumas barreiras para ficarem juntos. Só que Laura se apaixona novamente e começa a se perguntar se existem dois príncipes encantados. O problema dessa história é a apatia do triângulo amoroso formado, com direito a referências diretas a Cinderela e Chapeuzinho Vermelho.

Em outra ponta da história está Mariana (Agnès Jaoui), uma frustrada professora infantil, que sonhava em ser atriz. Enquanto ela tenta fazer crianças apresentarem uma peça, também aprende a dirigir na autoescola de Pierre (Jean-Pierre Bacri), o pai de Sandro, que não tem uma boa relação com o filho. Além disso, ele está perturbado com a revelação de uma cartomante sobre o dia da sua morte, que está se aproximando.

Sandro tem os seus problema, os pais de Laura outros, a irmã caçula mais um. Nesta salada de personagens, além de outras subtramas, Agnès apresenta muitas questões e acaba por confundir o espectador. Existe muito material a ser trabalhado e o filme não dá conta de todas as questões postas em cena. Assim, também é difícil compreender as atitudes de alguns personagens (eles não são bem desenvolvidos) e o caminhar da narrativa.

Além do Arco-Íris chega ao final cheio de pontos entreabertos e com uma resolução de trama muito fraca e descompassada com a carga dramática lançada ao público. Algumas passagens são realmente engraçadas e conseguem descontrair o clima pesado, entretanto, o filme oscila muito e acaba por conjugar elementos diferentes da mesma forma. Por exemplo, são apresentadas proposições reflexivas, quase existencialistas, mas a trajetória esfria com desfechos superficiais, que nem são como nos contos de fadas para justificar a premissa do filme.

 Nota: 2

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