Crítica | Amor Pleno

Crítica | Amor Pleno

Para quem conhece a obra de Terrence Malick sabe que o diretor gosta de explorar a fotografia acima de tudo. Em Amor Pleno (To the Wonder), as imagens são os elementos mais impactantes do filme, gravado quase como um videoclipe. Por meio de uma esplêndida montagem, o diretor fala com espectador sobre os três tipos de amor existentes, descortinando seus prazeres e suas agruras.

A partir do envolvimento do americano Neil (Ben Affleck) com a francesa Marina (Olga Kurylenko), o roteiro de Malick explora as nuances e o florescer de uma paixão. O rapaz apaixonado traz a amante para sua casa em Oklahoma, nos Estados Unidos, junto com a filha dela. No entanto, problemas surgem, Marina começa a se sentir cada vez mais sozinha e por meio de depoimentos narrativos, envolvidos nas belas imagens, o espectador percebe como cada um se sente neste cenário.

O Amor Eros, entre um homem e uma mulher, abre espaço para o Amor Fileo, entre familiares com a aceitação da menina a Neil. Por outro lado, o castelo de areia entre os dois começa a desmoronar pela ausência de Neil na vida das duas mulheres. O personagem de Ben Affleck está sempre à margem dos sentimentos confusos de Marina e, por isso, ele aparece sempre entrecortado no enquadramento do diretor.

Os atores parecem dançar em cena, com movimentos em compassos e expressões fortes. É difícil acompanhar este derramamento de questões sobre o amor e os conflitos gerados pelos sentimentos, por causa do enredo lento quase parecido com uma apresentação de balé. O terceiro tipo de amor, o Agapé, aparece na figura do Padre Quintana (Javier Bardem), que se indaga sobre a representatividade do amor de Deus e do sofrimento humano. Desse modo, o longa se torna quase um poema audiovisual, com frases e trechos narrados de maneira solta ao encontro de um ouvido atento que lhe dê um significado.

Apesar das falas soltas, o roteiro é bem linear e mostra as superfícies de cada estágio de um relacionamento amoroso. Assim que Marina retorna à França, Neil encontra uma ex-namorada (Rachel McAdams) e se deixa enfeitiçar pelo sabor da redescoberta. O encantamento de ambos é igualmente bem retratado como todas as outras etapas do filme, com lindos planos no meio de uma plantação, versando o destaque na mulher e outros no homem.

A narração em off transforma a obra em algo bem diferente de tudo realizado atualmente no cinema, em contrapartida, quase duas horas de lindas imagens, sem confrontos propriamente ditos, pode cansar o público. A trama se intensifica com o decorrer dos acontecimentos, mas não muda sua estrutura. Portanto, o espectador desinteressado, não conseguirá se envolver com a história.

Contado em três línguas, inglês, francês e espanhol, Amor Pleno é uma ode ao amor e a indagação dos humanos. De onde vêm todas as nossas sensações, anseios e vontades? Os personagens comentem equívocos, se deixam levar pelas emoções e desejos, se arrependem e ao assistir isso tudo nos perguntamos as mesmas coisas. Marina diz no filme “Você pensou que tínhamos a eternidade. Esse tempo não existe.” e essa frase seguiu comigo após os créditos. Esta obra não é para todos, mas veja o que você consegue depreender dela.

 Nota: 3.5

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