Crítica | Angie

Crítica | Angie

Marcio Garcia tomou gosto pela carreira de diretor de cinema. Na sua segunda incursão atrás das câmeras, ele apresenta uma produção, com roteiro fraco de Julia Camara e direção regular. Angie (Open Road) é ousado para um filme independente e com um diretor quase sem experiência, no entanto, sua história parece um drama escrito por estudante universitário.

Com um argumento raso, o filme segue uma lógica simples – começo, meio e fim – de um personagem atrás de um objetivo. Quando a protagonista aprende a lição e alcança seu objeto de desejo, a história acaba. O filme não produz nenhuma reflexão, tudo é entregue de bandeja e acontece muito rápido para permitir questionamentos. Camilla Belle (Angie) é bonitinha, tem graça e fica bem na telona, entretanto, ela não tem o tom necessário para ser protagonista.

Nas cenas mais carregadas de emoção, discutindo com a mãe (Christiane Torloni) ou seu amigo Chuck (Andy Garcia), Camilla se esforça, mas não consegue se entregar àquela situação. O que mais chama a atenção no longa é o visual. Apesar de se repetir, ele capta a essência do que seria um road movie, o que não acorre de fato. A personagem está rondando pelos Estados Unidos apenas na teoria, já na prática ela faz só uma viagem.

O roteiro naïf apresenta algumas falhas e má administração dos personagens. A protagonista Angie, por exemplo, parece estar em busca de si mesma e possui vários embates pessoais, entretanto, os conflitos não se desenvolvem. Além disso, a falta de emoção da atriz principal também não ajuda. Outro pecado da produção e do roteiro é permitir que o merchandising atrapalhe, mais de uma vez, a narrativa.

Como o projeto foi filmado em 20 dias, muitas cenas provavelmente foram cortadas e, por isso, alguns acontecimentos ficaram sem coerência, além do mais o espectador não tem noção do tempo corrido da história. O ator Colin Egglesfield já participou de diversas produções, mas tem um desempenho sofrível no filme. Seu personagem David é um policial rodoviário, morador de um trailer e solitário, que encontra em Angie um tipo de familiaridade e se apaixona por ela. Mas, tudo que o ator faz é sorrir ou esconder o riso.

O relacionamento dos dois deveria ser mais encantador e emotivo para transmitir a importância dele para o enredo, mas, novamente, tudo é bem raso. Aliás, o personagem é policial em apenas uma cena, em todas as outras ele nem pronuncia o trabalho ou aparece de uniforme, mais uma incongruência do roteiro e/ou da edição.

Os famosos Andy Garcia e Juliette Lewis (Jill) contribuem bastante para dar vida à produção. Mas a junção de um diretor inexperiente, uma roteirista iniciante e alguns atores caricatos fazem Angie ser um filme bem razoável. As atrizes brasileiras Christiane Torloni e Carol Castro (Sonia) estão bem nas suas pontas e nos momento de emoção. Arrisco a dizer que Carol Castro se sairia melhor como protagonista nesta teia de erros e poucos acertos.

Angie é um filme que passaria despercebido do cinema nacional se não tivesse o nome do famoso e carismático ator e apresentador Marcio Garcia. Gostaria de ver como o galã se sairia com uma história mais desafiadora e melhor estruturada.

Nota: 2,5

Share this: