Crítica | Antes da Meia-Noite

Crítica | Antes da Meia-Noite

Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke reúnem 18 anos de história em um único filme com maestria e encanto lúdico, tanto que ao acompanhar o desenrolar da vida de Celine (Delpy) e Jesse (Hawke), nos sentimos um pouco cúmplice e amigos dos personagens. A franquia consegue fazer algo raro no cinema, interagir com o público e fazê-los se sentir parte da narrativa.

Ver os altos e baixos do casal principal, incentiva o espectador a tomar partido e, ao mesmo tempo, torcer para que eles se acertem, como se fosse com nossos amigos. Antes da Meia-Noite consegue superar as expectativas até dos fãs mais ansiosos, pois é de longe melhor que o segundo filme, Antes do Pôr do Sol (2004). Como carrega todas as frustrações e as expectativas dos últimos anos, a obra também consegue superar o primeiro filme, Antes do Amanhecer (1995), com uma abordagem mais madura sobre a vida, óbvio, eles não são mais jovens.

Como dessa vez eles não tem que se separar no final, o roteiro trouxe para o espectador o último dia deles de férias na Grécia e o estopim de questões decisivas na vida de ambos. Após nove anos, Jesse e Celine têm problemas como qualquer casal, conciliar o interesse próprio com a criação dos filhos e a atenção ao companheiro. Além disso, Jesse tem outra adversidade em seu caminho: um filho (Seamus Davey-Fitzpatrick) do casamento anterior.

Jesse acredita que devia estar mais presente na vida do menino de 13 anos, no entanto, Hank vive com a mãe em Chicago e ele com Celine e suas duas filhas (Jennifer Prior e Charlotte Prior) em Paris. Assim, começa a discussão entre os dois. Afinal de contas, Jesse quer que Celine largue tudo e vá com ele e as meninas para os Estados Unidos? Essa questão suscita várias outras e, desse modo, vamos conhecendo os últimos nove anos da vida do casal.

Mas não só de discussão de relação vive o filme. Os diálogos filosóficos também estão lá como nos outros dois filmes. As indagações profundas sobre amor, relacionamento, envelhecimento e morte estão espalhadas e inspirativas como antigamente. O início do filme apresenta o dilema de Jesse em deixar o filho voltar para casa e uma sequência de conversa com Celine, que pressente uma ponta de ressentimento no marido.

Como novidade, Antes da Meia-Noite traz a participação de outros personagens, com uma longa conversa sobre romance, seres humanos e relacionamento entre homens e mulheres durante um almoço. Ás vezes triste e reflexivo, outras cômico e debochado, os diálogos são extremamente interessantes e se encaixam perfeitamente com a realidade de cada personagem. A parte final do filme é de apertar o coração dos mais sensíveis, com momentos muito intensos e aparentemente irremediáveis. Após este terceiro longa, vale a pena esperar mais nove anos para ver se o trio dá sequência a história.

 Nota: 5

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