Crítica | Camille Outra Vez

Crítica | Camille Outra Vez

Com um tema já batido, Noémie Lvovsky consegue criar um bonito e emocionante conto de fadas sobre a melancolia e as perdas da vida. De forma simples, Camille Outra Vez (Camille Redouble) transmite uma mensagem verdadeira sobre sofrimento e crescimento, entretanto, diverte o público com cenas cômicas e uma ótima trilha sonora.

A comédia francesa acompanha a vida de Camille (Noémie Lvovsky), que aos 40 anos foi abandonada pelo marido e não consegue arrumar um emprego. Durante a virada do ano, a mulher exagera na bebida e acorda no hospital. O improvável ocorre quado seus falecidos pais aparecem para buscá-la. Impressionada, ela percebe que voltou a ter 15 anos e, assim, resolve mudar seu destino.

Sem muita explicação, o roteiro segue as tentativas de Camille de salvar a mãe, que morrerá dali alguns dias, e guardar as lembranças dela. Além disso, a jovem tenta fugir das investidas do seu futuro marido Éric (Samir Guesmi), pois sabe que ele o abandonará no futuro.

Camille, no entanto, entende que não conseguirá mudar os seus sentimentos e as coisas inevitáveis da vida. Além disso, percebe que poderá ficar sem a sua filha se não engravidar aos 16 anos, como ocorreu anteriormente. Portanto, a sua segunda chance se torna, na verdade, uma lição de vida para os seus próximos anos.

O que causa mais estranheza no filme é que os atores quarentões interpretam adolescentes sem nenhuma modificação. A comédia permite essa abertura de construção dos personagens, contudo, não deixa de ser esquisito, uma vez que os outros atores, em torno dos principais, são realmente adolescentes. A única configuração da idade dos protagonistas é as roupas escandalosas da época.

A grande qualidade do longa é a sua composição simples e roteiro fechado. A história tem objetivo bem definido e faz com que o espectador saia do cinema reflexivo, valorizando mais os momentos e as pessoas. Apesar de ser clichê do ponto de vista temático, já vimos construções assim em De repente 30 (2004) e Um Homem de Família (2000), Camille Outra Vez é um bom filme sobre escolhas e perdas, vale a pena parar um pouquinho para assisti-lo e refletir sobre a vida. 

 Nota: 2.5

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