Crítica | Ginger & Rosa

Crítica | Ginger & Rosa

Algumas obras cinematográficas já tentaram transmitir a sensação de aprisionamento e desespero da população mundial durante a Guerra Fria, com a ameaça iminente de um conflito nuclear, na década de 1960. Sally Potter, no entanto, consegue trazer mais cor e emoção para o período ao eleger como protagonistas duas jovens nascidas após o lançamento da bomba em Hiroshima e Nagasaki.

Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert) são melhores amigas e inseparáveis, suas famílias moram no mesmo prédio e elas cresceram juntas, no entanto, são completamente diferentes. Aos 17 anos, a disparidade entre ambas começa a gritar mais forte, quando os interesses delas não se conjugam.

Abandona pelo pai ainda criança, Rosa sonha em encontrar o verdadeiro e eterno amor, enquanto Ginger acredita que deve fazer alguma coisa para impedir que ocorra uma guerra nuclear no mundo. Apesar de Natalie (Christina Hendricks), mãe de Ginger, achar Rosa uma má influencia para sua filha, ela não consegue separá-las.

Entre paqueras e experiências da juventude, Ginger se interessa cada vez mais sobre as notícias das ofensivas dos governos contra os países inimigos, isto é, os socialistas. Seu pai é um professor pacifista, que luta pela liberdade de expressão e contra as amarras sociais. Seu espírito liberal é admirado pela filha, ao mesmo tempo em que ela olha para mãe com desgosto por causa da vida de dona de casa.

Os conflitos do filme são desenvolvidos vagarosamente, deixando o espectador apreciar cada detalhe e momento. Sally Potter conseguiu escrever e apresentar uma trama que se inflama aos poucos. Por meio de um olhar, uma palavra, uma carta ou até mesmo um suspiro, a roteirista e diretora tece situações limites.

Ginger aguenta muitas decepções e medos calada, sua única válvula de escape é a poesia, a qual deseja tornar uma profissão. Ela anseia levar para todos a sua voz e indignação com o mundo. Quando se está angustiado com alguma coisa é impossível imaginar que os outros não se importem. É assim que Ginger se desespera, seus pais e sua amiga não se incomodam com a probabilidade de toda a raça humana ser exterminada da Terra.

A jovem encontra apoio com seus padrinhos Mark (Timothy Spall e Oliver Platt) e a amiga deles Bella (Annette Bening), que incentiva Ginger a se engajar politicamente. Por outro lado, Rosa se preocupa em encontrar o grande amor e a ajudar Roland (Alessandro Nivola), pai de Ginger. O relacionamento entre eles, entretanto, começa a afetar a jovem de modo devastador.

Elle Fanning está ótima no filme. Ela consegue mostrar toda a alegria e força da juventude se transformar em mágoa, culpa e ressentimento no decorrer dos acontecimentos. Ginger & Rosa é um filme político e dramático, sem apelo comercial, mas com uma mensagem forte e reveladora. As palavras da personagem de Elle Fanning ecoam na nossa mente, principalmente nos minutos finais.

Nota: 5

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