Crítica | Guerra Mundial Z

Crítica | Guerra Mundial Z

Até pouco tempo os filmes sobre mortos-vivos devoradores de carne humana era um gênero marginal, relegado a produções independentes e de baixo orçamento. Desde 2010, no entanto, o seriado bem produzido da AMC, Walking Dead, tem mudado esse panorama e eis que Guerra Mundial Z chega para traçar uma nova era sobre o tema, com uma grande produção, um conhecido diretor e o astro de Hollywood Brad Pitt.

É normal ficar com o pé atrás antes de ir ver o filme, afinal, os zumbis nunca foram tratados com seriedade no cinema. Em geral é sempre um grupo de sobreviventes correndo de um lado para o outro, tentando arranjar comida e não ser devorado pelas feras. As lideranças mundiais, os governos e os exércitos são deixados em segundo planos e a provável origem do vírus é sempre motivo de chacota.

Por outro lado, Guerra Mundial Z, baseado no livro de Max Brooks, está mais para Contágio (2011), de Steve Soderbergh, do que as obras do gênero. Pois, o filme se preocupa a buscar uma cura, uma resposta e um começo para a epidemia que assola o mundo. De maneira séria, o poder do governo ainda impera sobre os humanos. Esta visão é bastante clara durante o resgate de Gerry Lane (Brad Pitt) e sua família. Apenas as pessoas essenciais para combater o mal vigente são mantidas em segurança num navio no Oceano Atlântico.

De modo que a única forma de Gerry manter sua família a salvo é levar um jovem pesquisador, em segurança, até a Coreia do Sul, local de onde surgiu o primeiro alerta de “zumbis” para o governo norte-americano. Até o uso da palavra “zumbi” é questionada pelos personagens do filme, o que se torna interessante, porque a “doença” é tratada como um epidemia desconhecida, como a gripe espanhola foi em 1918 e dizimou um terço da população mundial.

Assim, Gerry parte numa viagem de uma ponta a outra do globo tentando encontrar o primeiro indício de contaminação. O terror e o suspense se fazem presente a cada segundo do percurso do agente da ONU, com certeza, o ponto forte do longa é essa tensão no ar em várias sequências. A maneira como o protagonista lida com os acontecimentos também é bastante verossímil e envolve o público na trama. O personagem de Brad Pitt não é nenhum super-herói, apenas um agente bem treinado que consegue pensar mais rápido do que a maioria das pessoas.

Brad Pitt é um bom ator, ele leva o filme com leveza e carisma de um pai de família preocupado em fazer seu trabalho, da melhor maneira, para poder encontrar seus filhos no final do dia, tranquilo e realizado. A coadjuvante Daniella Kertesz (Segen) é um ingrediente que fermenta a história e cria uma ligação de companheirismo, importante para o protagonista. Mireille Enos (Karin Lane), entretanto, está bastante apagada na história, sua interpretação de esposa preocupada necessitava de um pouco mais de vida.

A transmutação dos seres humanos em feras raivosas é muito rápida e, diferente do clichê zumbi, eles não querem devorar qualquer carne a sua frente. As explicações das ações desses seres mortos e para sua velocidade desmesurada são plausíveis, o que deixa a trama muito mais interessante e misteriosa. Afinal de onde veio esse vírus, bactéria, protozoário, seja lá o que for? Os roteiristas foram muito eficientes na construção de pontes para uma próxima aventura e também na costura final desta parte.

Nota: 4

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