Crítica | O Homem de Aço

Crítica | O Homem de Aço

A adaptação cinematográfica de Superman, cunhada pelo diretor Zack Snyder e o roteirista David S. Goyer, não é um filme de super-herói. Aqui, o viés é bem diferente. Quem deseja grandes aventuras e lutas emocionantes vai se decepcionar. O Homem de Aço é um filme de ficção científica, que conta a história de um ser de outro planeta enviado à Terra para salvar a humanidade. Tal ponto é repedido várias vezes na história com o objetivo de fixar a mensagem para os espectadores.
Esta escolha narrativa torna o filme arrastado e pouco interessante durante grande parte. Após começar com um pouco de adrenalina, a ação só volta nos momentos finais e de forma bem limitada. A mão de Christopher Nolan, um dos criadores desta história, pode ser percebida por meio da estrutura do enredo. Assim como em Batman Begins (2005), o longa conta desde o nascimento de Kal-El (Henry Cavill), o seu questionamento existencial durante toda a juventude, até o início da construção do herói.
No entanto, diferente do homem-morcego, o filme toma proporções muito reflexivas, mas que não são nem dramáticas, nem emocionantes. Além disso, o roteiro utiliza dezenas de flashbacks para mostrar as situações em que Kal-El/Clark Kent teve que expor sua força sobrenatural para proteger e salvar outras pessoas. O recuso se torna cansativo e mostra sempre a ponderação do personagem entre ajudar os outros e ser julgado pelo mundo ou esconder seus poderes e viver em paz.
Contudo, nenhuma dessas passagens impressionam o espectador, elas se tornam apenas apêndices para os questionamentos existenciais de Clark. Algo mal trabalhado, mas que permeia o filme de ponta a ponta. Outro ponto fraco é a escolha do protagonista apenas por sua aparência, ele quase não possui falas. O trabalho de Henry Cavill é marcar presença e colocar seus músculos diante das câmeras, pois todo o tempo é o pai adotivo (Kevin Costner) e o seu real progenitor (Russel Crowe) que falam por ele. As situações, na verdade duas, que exigem um pouco mais de emoção do ator, soam extremamente falsas.
A superprodução tem um visual belíssimo, o planeta de Krypton é bem detalhado e a tecnologia extraterrestre também. Entretanto, o cuidado dos produtores termina por aí. As cenas finais do confronto entre General Zod (Michael Shannon) e Kal-El são bem desmotivantes neste aspecto. Até emblemática personagem Lois Lane (Amy Adams) se torna apenas uma chave para desencadear alguns acontecimentos na vida de Clark.
Após Homem de Ferro (2010), Os Vingadores (2012) e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), O Homem de Aço é um banho de água fria para os fãs do gênero. Eles poderão, pelo menos, apreciar as atuações de Russel Crowe e Michael Shannon. Com uma trama atrapalhada, elevando o super-herói dos quadrinhos à condição de messias salvador da humanidade – ressaltada excessivamente -, o longa desanda e se torna mais uma frustrante mega produção.

 Nota: 2

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