Crítica | O Homem Que Ri

Crítica | O Homem Que Ri

Adaptação da clássica história do dramaturgo francês Victor Hugo, O Homem Que Ri (L’Homme Qui Rit) tenta representar o drama de um povo miserável e os ideias políticos contra uma nobreza esnobe. Como era de esperar, não é fácil transcrever para outras mídias a obra do clássico escritor com semelhante profundidade. Por isso, o filme já começa com um apanhamento raso e simplificado da história.

Com uma adaptação realizada em 1928, ainda na época do cinema mudo, O Homem Que Ri nasce com a preocupação de expressar todos os sentimentos sem a necessidade da voz evocativa. Os atores deviam explorar muito mais o olhar e os gestos, no entanto, o recurso é pouco utilizado nesta nova versão. Com dois jovens atores protagonistas, Jean-Pierre Améris traz um ar moderno para história, mas não consegue atingir a dramaticidade necessária.

Gwynplaine (Marc-André Grondin) é abandonado ainda criança por um médico que lhe cortou o rosto para uma experiência. Com uma cicatriz que lhe faz parecer estar sorrindo o tempo todo, o menino é considerado um mostro e enxotado pelas demais pessoas. No seu caminho, ele encontra um bebê ao lado da mãe morte no meio a uma tempestade. Junto com a menina, procura um abrigo para sobreviver.

Ursus (Gérard Depardieu) é o único a lhe abrir a porta e o deixa entrar. Logo, os três se tornam uma família. O homem passa a cuidar da menina Déa (Christa Theret), que ficou cega por causa da tempestade, e do garoto, que assusta as pessoas. Comercializando “ervas medicinais”, Ursus ganha a vida de forma difícil, até que ele percebe que Gwynplaine é uma atração à parte para as pessoas.

Gwynplaine e Déa crescem em cima do palco, viajando numa carroça de cidade a cidade, recolhendo o mínimo de dinheiro para comer. Suas existências miseráveis não abala a vivacidade e esperança de nenhum dos três. Com o passar do tempo a pobre menina cega se apaixona pelo seu protetor. No entanto, seu amor atormenta Gwynplaine. Ela não pode ver o mostro que ele acredita ser, desse modo, não consegue corresponder o sentimento dela.

A trajetória de Gwynplaine é cheia de altos e baixos, no entanto, as tramas se armam e desarmam com uma velocidade, que o espectador não consegue sentir as emoções propostas. Os protagonistas ainda são muito jovens para carregar um filme com tamanha dramaticidade e complexidade, tanto que o sofrimento de Déa se transforma num comunicado à plateia, e não numa experiência com o público.

Por outro lado, Gérard se encontra soberbo e ótimo como sempre, ele toma as cenas para ele. Sem o veterano ator, o filme estaria condenado a um provável esquecimento. O Homem Que Ri constrói um aspecto sombrio, mas deixa a desejar ao não evidenciar os ideais políticos e a revolta do protagonista de Victor Hugo.

O filme é bem produzido, nos remete às produções de Tim Burton, que, com certeza, se inspirou na obra do escritor francês para produzir seu personagem mais marcante: Edward Mãos de Tesoura (1990). O Homem Que Ri é simples e, infelizmente, não consegue empolgar em nenhum momento o público.

Nota: 3

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