Crítica | Oblivion

Crítica | Oblivion

Muito barulho para pouca novidade. É a frase que define a grande produção de ficção científica protagonizada pelo astro Tom Cruise. Oblivion é um longa considerado de baixo orçamento para os parâmetros do gênero sci-fi em Hollywood, pois custou a bagatela de US$ 150 milhões. Apresentado como um dos grandes lançamentos do ano, o filme tem grandes imagens e cenas de ação, contudo se esquece de apresentar um propósito para a ideia futurística.

A história se passa no ano de 2077, 60 anos após uma invasão alienígena que destruiu a Lua e, consequentemente, o planeta Terra. O mundo como conhecemos não é mais habitado por humanos e sim por uma espécie de seres invasores. Neste cenário, vive o casal Jack Harper (Tom Cruise) e Victoria (Andrea Riseborough) que estão em missão na Terra para reparar as aeronaves que vigiam o planeta de ameaças.

Após cinco anos neste trabalho, falta pouco tempo para eles irem para casa no espaço. Jack, no entanto, esconde alguns segredos de Victoria, como um lugar no planeta, em que as plantas ainda nascem, a água é potável e crescem frutos. Lá, ele constrói uma cabana com as coisas que encontra durante suas expedições pelo solo. Seu maior desejo é ficar ali para sempre.

Por outro lado, Victoria não compartilha as mesmas ideias e nem o amor pela natureza, recriminando qualquer atitude de Jack relacionada ao assunto. Depois de um início calmo, com a apresentação da rotina do casal, a história parte para o conflito de Jack com os Scavs, acreditados como alienígenas. Mas, na verdade, eles são humanos sobreviventes, lutando para conservar os poucos recursos que restam ainda na Terra.

O cenário todo muda quando uma espaçonave cai no planeta com alguns sobreviventes em cápsulas, mas apenas Julia (Olga Kurylenko) – protegida por Jack Harper – consegue se salvar. Ao vê-la, ele recordar de sempre sonhar com aquele rosto. Assim, a trama constrói três grandes mistérios a serem solucionados. Quem são os humanos sobreviventes e o que querem com Jack? Quem é a mulher que caiu numa cápsula? E por que os outros sobreviventes são dizimados pelas máquinas que Jack conserta?

Aos pouco, o relacionamento entre Julia e Jack se intensifica e o mistério entre os dois é solucionado. Jack descobre várias coisas sobre a realidade vigente e começa uma luta entre os humanos e os verdadeiros inimigos. As explicações para as três resoluções acima são dadas, mas   o roteiro não apresenta um objetivo para o personagem principal, ele apenas vive os acontecimentos.

Tom Cruise salva o que restou do planeta por causa de uma mulher e dá bastantes tiros, exatamente como nos seus últimos papéis no cinema. Os mistérios são desfeitos e o ritmo do filme é sempre constante, o que deve conquistar o público fã do gênero ação. Contudo, a história transcorre sem transmitir uma mensagem ou apresentar um propósito para os personagens. Oblivion entretém, mas não empolga, sendo um dos poucos filmes de ficção científica sem uma abordagem reflexiva sobre o futuro. Fez falta.

Nota: 3

Share this: