Crítica | Réquiem para Laura Martin

Crítica | Réquiem para Laura Martin

Com dois diretores no comando, Paulo Duarte e Luiz Rangel, Réquiem para Laura Martin é uma frustrante história de drama e romance. Desde o início, a produção mal acabada e o roteiro fraquíssimo chamam a atenção, com situações e cenas constrangedoras para o público por causa do teor amador.

Maestro (Anselmo Vasconcellos) é um famoso músico arrogante, obcecado pela amante Laura Martin (Ana Paula Serpa). Com a partida da amada, ele enlouquece e arma um plano para ficarem unidos para sempre. A ideia de Paulo Duarte seria um ótimo conto de suspense, mas não se justifica em um longa-metragem. O filme se arrasta durante quase duas horas para apresentar um desfecho mórbido, que explica a existência da história.

O triângulo amoroso formado pelo músico, a amante e a esposa lembra um pouco as obras sórdida de Nelson Rodrigues, que como ninguém brincava com as fantasias e perversões humanas. Contudo, a exploração desse ponto também é mal executada, as cenas entre Anselmo Vasconcellos e Ana Paula Serpa não transmitem paixão, apenas um relacionamento banal entre professor e pupila.

Vasconcellos consegue convencer no papel de gênio insuportável, no entanto, algumas falas soam cômicas de tão perdidas no contexto da sequência. Por outro lado, Ana Paula Serpa não imprime nenhuma marca para a mulher sedutora e, na segunda parte do filme, doente. Já a esposa traída de Cláudia Alecar soa caricata o tempo inteiro, os sentimento de amargura e solidão presente na fala não refletem na interpretação.

Há cenas muito ruins, como uma relação sexual entre Maestro e Laura em que não há movimentos de corpos, a encenação é tão falsa que o espectador se sente desenganado por não conseguir entrar naquela história. Outro momento ruim é o monólogo e quase 10 minutos da esposa, com o corpo inerte da amante, cheio de abobrinhas e insanidades. O que era para ser um momento forte de confronto e revolta se tornou apenas uma sequência irritante.

Além da produção ruim, o filme exibe muitas incongruências, como a inércia de uma mulher doente durante o dia inteiro sendo brinquedo na mão de outra. Como a doença a faz parecer um cadáver, mas em outra cena ela está falando e consciente? O personagem de Luciano Szafir é outro ponto perdido e deslocado da história. A existência do amante jovem não é justificada, parece que era apenas para dá uma ponta para o decadente ex-modelo.

Muitos elementos são empurrados para o público de qualquer forma e sem a preocupação de envolvê-lo na história. Réquiem de Laura Martim não passa nenhuma mensagem, apenas mostra que a loucura humana é capaz de qualquer coisa por meio de um personagem que se apresenta como imponente e soberano, mas, na verdade, é um homem inseguro e imaturo. Com muito blá, blá, blá e nenhuma encenação dessas palavras, a história devia ter permanecido no papel. 

 Nota: 0

Share this: