Crítica | Segredos de Sangue

Crítica | Segredos de Sangue

O coreano Park Chan-Wook faz a sua estreia nos Estados Unidos com o suspense Segredos de Sangue (Stoker), após conquistar milhares de espectadores ao redor do mundo com a trilogia Mr. Vingança (2002), Old Boy (2003) e Lady Vingança (2005). As cenas em câmera lenta, o detalhamento dos movimentos e todos os outros elementos característicos do diretor estão nesta produção norte-americana, mas faltou algo essencial para o cineasta: um bom roteiro.

O primeiro trabalho do ator Wentworth Miller, o protagonista do extinto seriado Prison Break, como roteirista deixou bastante a desejar e se tornou muito aquém da experiência do cineasta coreano. A explicação é bem simples, os filmes escritos por Chan-Wook tinham uma lógica e justificativa para a violência gerada. Agora, com um belo visual e uma edição dinâmica – que salva a monotonia do filme -, Segredos de Sangue é dominado pelo suspense, no entanto, as revelações são anticlímax, ou seja, nada surpreendentes. Além disso, a narrativa não apresenta um argumento para a maior parte dos acontecimentos.

Richard Stoker (Dermot Mulroney) morre no dia do aniversário de 18 anos de sua filha India (Mia Wasikowska). Em luto, a menina tem que lidar com o comportamento indiferente de sua mãe (Nicole Kidman) e com a chegada inesperada do seu tio Charlie (Matthew Goode), que ela não sabia que existia. A história monta vários mistérios, com revelações simples, levando-nos até a maior questão do filme: quais as reais intenções da visita de Charlie e da sua permanência na casa?

Sem ter um objetivo muito bem definido, o filme abre margem para muitas especulações. Uma delas é a possível metáfora sobre o amadurecimento sexual da adolescente India, despertado por meio da figura do tio. Algumas cenas focam essencialmente nesta questão, o que pode sugerir que todo o filme seja metafórico, entretanto, nem todos os elementos convergem para somente esse tipo de leitura.

Esteticamente, Segredos de Sangue é belíssimo por causa da dimensão exata da câmara e os movimentos peculiares do diretor. No entanto, o constante suspense e as resoluções vazias declinem a narrativa e tornam a história um pouco previsível, além de incongruente. Charlie seria apenas o condutor de India? Mas para que direção? São muitas questões e explicações pouco convincentes.

Já as atuações não merecem nenhum destaque, Mia Wasikowska está com a cara de luto habitual da atriz, ainda bem que existe um real motivo para isso na história. Nicole Kidman faz a mãe desleixada e impaciente de forma razoável; e o grande vilão de Matthew Goode tem cara de adolescente maníaco, muito longe do homem sedutor pretendido. Até o jovem Alden Ehrenreich (Whip), que brilhou recentemente em Dezesseis Luas (2013), tem seu talento desperdiçado com um papel irrisório.

 Nota: 2

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