Crítica | 9 Crônicas Para um Coração aos Berros

Crítica | 9 Crônicas Para um Coração aos Berros

Com um currículo de sete curtas-metragens, Gustavo Galvão tenta emendar uma colcha de retalhos no longa 9 Crônicas Para Um Coração aos Berros, no entanto, não obtém êxito nessa costura e produz um dos filmes mais entediantes do ano. O objetivo da história era apresentar os momentos de virada dos seus personagens, quando as pessoas resolvem mudar de vida, seguir em frente ou deixar as lembranças no seu devido lugar.

O roteiro pretendia desfazer as encruzilhadas do protagonista de cada crônica, em contrapartida, conseguiu criar uma história inócua e personagens sem inspiração. Seus problemas são bobos e apresentados de forma tão comum, que não conseguem conectar o espectador aos acontecimentos. Sabemos que, às vezes, um argumento simples se transforma numa mega história, como em Antes do Amanhecer (1995) e Juno (2007). O problema, portanto, não é a ideia, mas o seu terrível desenvolvimento, também realizado por Galvão, em parceria com Christiane Oliveira, roteirista de apenas dois curtas.

Se não fosse a presença de Simone Spoladore (A Memória Que Me Contam) e Leonardo Medeiros (O Tempo e o Vento), a obra poderia ser considerada uma produção experimental, com baixo orçamento e pouco cuidado de edição. Apesar de realmente ter o acabamento de um filme amador, o longa recebeu incentivo do governo e, mesmo assim, não foi suficiente. Dos esquetes apresentados de forma entrecortada, o único que desperta o mínimo de interesse é o da prostituta Simone (Simone Spoladore), inconformada com sua vida de puta.

Isso porque atriz consegue transmitir a angústia da sua personagem e, pelo menos, o ambiente do quarto do motel/termas funciona, embora seja pouco trabalhado. O resto do elenco é triste, parece um bando de atores amadores sem saber colocar as palavras em paralelo com as expressões e as entonações. Vale destacar o trabalho realizado por Júlio Andrade, conhecido pela bela performance em Cão Sem Dono (2007) e Gonzaga: De pai pra Filho (2012), entretanto, sua coadjuvante estraga toda a cena.

A mesma destoação ocorre com ator Felipe Kannenberg, ótimo em Menos Que Nada (2012), com os seus parceiros de encenação. Um desperdício de talento para uma história que não caminha para lugar nenhum e os personagem fracos rastejam em diálogos frios. 9 Crônicas Para um Coração aos Berros é um trabalho mil vezes melhor na ideia do que na concepção. As sequências desconjuntadas irritam o público e a torcida para aqueles 93 minutos passarem logo é forte.

Nota: 1

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