Crítica | A Menina Que Roubava Livros

Crítica | A Menina Que Roubava Livros

Baseado no best-seller de Markus Zusak, o filme A Menina Que Roubava Livros (The Book Thief) apresenta a mesma sensibilidade do livro e explora bastante o lado emotivo do público. A versão do diretor Brian Percival e o roteirista Michael Petroni é fiel à obra, entretanto, deixa um pouco de lado o ponto mais interessante da história: a narração da morte. Ela está presente, mas se restringe ao início e ao final da história, o que faz o longa perder um pouco da vida que tanto encantou os leitores de outrora.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a menina Liesel Meninger (Sophie Nélisse) é obrigada a morar com o velho casal Hubermann, seus novos pais adotivos. A caminho do seu novo lar, seu irmão morre e este é o primeiro encontro entre a narradora da trama e pequena garota de cabelos dourados. Com um tom inocente e, ao mesmo tempo, duro, a história se desenvolve a partir do interesse da menina pelas palavras.

Seu primeiro contato com o livro ocorre no enterro do irmão, quando Liesel vê um objeto cair do bolso do coveiro, o pega escondida e não se desgruda mais dele. Apesar de não saber ler, ela cria, a partir desse momento, um vínculo com o livro. Com a afeição de Hans (Geoffrey Rush) e a severidade de Rosa (Emily Watson), a menina começa a se acostumar com a nova vida, apesar de esperar uma carta sua verdadeira mãe.

Hans a ensina a ler e juntos formam um dicionário de palavras aprendidas nas paredes do porão da casa. O crescente relacionamento entre os dois e a leitura é admirável. Com a proibição da veiculação de livros na sociedade, a menina se arrisca cada vez mais para consegui-los, enquanto descobre os verdadeiros horrores do país sobre o comando de Hitler.

A Menina que Roubava Livros tem uma bela fotografia e mostra um trabalho primoroso da direção de arte. Além disso, o elenco apresenta um enorme potencial. A jovem Sophie Nélisse tem uma presença tão doce em cena que é difícil não se simpatizar com o personagem. No entanto, os acontecimentos do filme são bem vagarosos, o que deixa o enredo um pouco chato.

Em contrapartida, a narrativa tem seus pontos altos com os relacionamentos da menina com o judeu refugiado Max (Ben Schnetzer), que busca abrigo na casa dos Hubermann, o vizinho Rudy (Nico Liersch), apaixonado por ela, e o seu pai Hans. Essas relações de sofrimento e cumplicidade fomentam o filme e demonstram como as palavras podem conquistar e fazer renascer as pessoas. Mais que uma história triste sobre guerra e morte, A Menina Que Roubava Livros é uma ode à leitura.

Nota: 3

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