Crítica DVD | As Delícias da Tarde

Crítica DVD | As Delícias da Tarde

A produtora de séries Jill Soloway estreou com o pé direito no cinema. Conhecida pelos seriados A Sete Palmos (2001-2005) e United States of Tara (2009-2011), ela escreveu e dirigiu um dos filmes mais cativantes do ano, As Delícias da Tarde (Afternoon Delight). Com três protagonistas afinados – Kathryn Hahn, Juno Templo e Josh Radnor – e um roteiro dinâmico, além de inteligente, o filme diverte, entretém e emociona.

A dona de casa Rachel (Kathryn Hahn) vive em Los Angeles e tem uma boa condição financeira, no entanto, toda semana ela vai à terapeuta Lenore (Jane Lynch) para falar da sua infelicidade. Ela não consegue brincar com o filho pequeno Mason (Noah Kaye Bentley) e há seis meses não faz sexo com marido, além disso, participa de eventos beneficentes a contra gosto e é frustrada por não ter seguido a profissão de jornalista, tornando-se repórter de guerra.

Haja conflito para pobre Rachel, entretanto, ela só conta essas coisas no consultório de sua terapeuta. Durante os dias, ela demonstrar está tudo bem. Até que sua amiga Stephanie (Jessica St. Clair) lhe aconselha a ir num clube de strippers com o marido para esquentar o clima entre eles. Lá, Jeff (Josh Radnor) paga uma lap dance, ou seja, uma dança no colo num lugar reservado com a stripper McKenna (Juno Temple).

A noite, entretanto, não sai como o esperado, Rachel passa mal e mais uma vez o sexo é deixado para depois. Por outro lado, ela cria uma obsessão pela jovem stripper do clube. Assim, ela passa a vigiar a menina e provoca um encontro casual com ela. Assim, as duas passam a se encontrar todas as tardes para tomar café numa espécie de trailer ambulante. Um belo dia, McKenna é expulsa de casa e Rachel tem a brilhante ideia de levá-la para sua residência.

Jeff fica com o pé atrás, afinal de contas eles têm um filho pequeno e a vizinhança é curiosa. Mas Rachel o convence que ela está tentando ajudar a menina sem teto. Juno Templo interpreta a jovem stripper de forma inocente e sonsa, a atriz possui um ar infantil que ajuda a compor o personagem, ao mesmo tempo em que seus olhos são puros, o seu sorriso demonstra uma mulher sem escrúpulos que gosta de ganhar dinheiro com sexo.

Rachel não consegue fazer McKenna largar a prostituição e cada vez mais se torna cúmplice dela. A vida desregrada da menina a fascina e, talvez, acompanhá-la nesse caminho de promiscuidade era a válvula de escape que ela precisava. No fundo, entretanto, Rachel sabe que o que está fazendo não é certo e se sente pesarosa sobre suas escolhas até tudo explodir. Leva um tempo, mas a presença da menina é uma bomba de pavio acesso.

Após desagradáveis acontecimentos, Jeff desperta da anestesia da sua vida pacata de provedor do lar e Josh Radnor – apesar dos muitos trejeitos de Ted da série How I Met Your Mother – consegue efervescer um pouco seu personagem morto durante boa parte da trama. As Delícias da Tarde é uma comédia de humor negro com bons argumentos sobre as crises em diversas áreas e momentos da vida. O segredo do título tem a ver com as preferências sexuais da protagonista. Falar nisso, Kathryn Hahn está ótima e é o verdadeiro nome do filme. Dificilmente, alguém não vai se divertir.

 Nota: 4

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