Crítica | Bastardos

Crítica | Bastardos

Com uma mistura de drama familiar e suspense policial, a clássica cineasta francesa Claire Denis (Minha Terra África) apresenta sua nova empreitada Bastardos (Les Salauds) ao público brasileiro. De forma densa e obscura, a diretora e roteirista desenha os contornos de uma tragédia recheada com suicídio, abuso sexual, exploração de menor, traição e assassinato.

Com um formato feito para chocar o público, Bastardos não consegue desenvolver bem os seus personagens e a narrativa lenta estraga desde o início a parte de suspense do enredo. Durante grande tempo do longa, a história é focada na traição de uma dona de casa rica com um homem solitário. Além do sexo, os dois estão ligados pela destruição familiar de cada um deles.

Tudo tem início com o suicídio do cunhado de Marco Silvestri (Vicent Lindon). Ele é um solitário marinheiro que atende o chamado da irmã Sandra (Julie Bataille) para descobrir quem abusou sexualmente de sua filha adolescente Justine (Lola Créton) e a deixou em estado hospitalar. Com indícios sobre um famoso milionário por trás do crime, Marco aluga um apartamento vizinho ao lado do suspeito, entretanto, ele acaba se envolvendo com Raphaëlle (Chiara Mastroianni), esposa do sujeito.

Não é fácil entender todos os meandros dessa história logo de cara e assim detalhados, a diretora escolhe ir por um caminho mais misterioso, deslocando momentos temporais e deixando explicações objetivas de lado. O interesse da edição é caminhar, caminhar e deixar o espectador um pouco perdido e indignado com algumas imagens apresentadas.

Todos os atores são extremamente opacos em cena, apenas a Chiara, filha do célebre casal Marcello Mastroianni e Catherine Deneuve, consegue resplandecer alguma emoção quando é separada do seu filho, exaltando todo o seu amor maternal. Em contrapartida, as cenas do caso entre Marco Silvestri e Raphaëlle são longas e ocupam quase todo o desenrolar da trama, a investigação do ocorrido com Justine cai por terra e a resolução dessa tediosa trama deixa a desejar.

Se Claire Denis queria chocar, ela causou pouco impacto, mas consegue causar desconforto nas plateias mais pudicas e desavisadas. O seu ponto mais elevado é mostra com o que a adolescente foi abusado sexualmente a ponto de ter que passar por uma cirurgia de reconstituição vaginal. A única surpresa da trama, entretanto, é um retrato previsível do início. O filme, na verdade, é uma bagunça familiar e os personagens são soberanos em não demonstrar emoção e ignorar a sujeira por trás dos sorrisos de rostos familiares.

 Nota: 2.5

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