Crítica | Bling Ring - A Gangue de Hollywood

Crítica | Bling Ring – A Gangue de Hollywood

Com base num fato real ocorrido entre 2008 e 2009, Sofia Coppola traz o seu tom autoral para uma história voltada ao público adolescente em Bling Ring: A Gangue de Hollywood. Apesar da pouca filmografia, a cineasta já conseguiu imprimir um ritmo próprio nos seus cinco longas-metragens. E, mais uma vez, a filha de Francis Ford Coppola aborda o mundo das celebridades, algo que ela mesma presenciou ao nascer numa família de cineastas e pessoas públicas.

Se em Um Lugar Qualquer (2010), Sofia tratava do tema do lado de dentro, pela perspectiva do vazio da vida de um ator famoso, agora a diretora e roteirista partiu para uma investigação do lado de fora da vida pública. Baseada na obra da jornalista Nancy Jo Sales, da revista Vanity Fair, o filme apresenta a óptica de um grupo de adolescentes obcecados pela vida das celebridades.

Se  por um lado isso pode ser visto como algo comum e até incentivado pela mídia, a criação de mitos em torno de atores e modelos, por outro, os jovens desse filme querem mais do que admiração, eles querem o que esses artistas têm. Encabeçado pela jovem Rebecca (Katie Chang), se o grupo não pode ter a fama e a admiração da mídia, eles obtêm a inveja dos colegas e ostentam marcar e mais marcas para mostrar algo dentro do vazio de sua existência.

Olhando por esse prisma, o tema não é novo. Já vimos o vazio existencial se explorado por Copolla em Encontros e Desencontros (2003) e nem a família real escapou da sua análise em Maria Antonieta (2006). O modo como um bando de adolescentes roubava a casa de celebridades do mundo pop é questionável. Como pode ser tão fácil? As suas ambições e motivações são divagadas durante o filme, mas nunca postas na mesa, aliás, esta não é uma obra de certo ou errado, muito menos de aventura ou policial. A contravenção apresentada é só um modo de jovens chamarem a atenção ou de se sentirem de alguma forma mais importantes do que os outros.

Com tomadas lentas e cenas silenciosas, Coppola mostra um cenário pronto para desmoronar. Na verdade, a diretora já parte do final e encaminha a curiosidade do espectador pelos meandros daquela história. O fator real ressalta os olhos do público junto com as imagens dos astros e ambientação nas suas próprias casas, que incrementam a obra de maneira envolvente. Se a autora não apresenta uma história mais profunda, com questionamentos sobre o comportamento dos adolescentes, é porque esse não é o seu foco.

Apesar de apenas ter Emma Watson (As Vantagens de Ser Invisível) conhecida no time de adolescente, Sofia fez uma ótima descoberta com a talentosa Katie Chang. Como protagonista, a menina de 16 anos se destacou e segurou bem as pontas da sua personagem destemida e atrevida. O elenco todo é muito bom, Israel Broussard, Claire Julien e Taissa Farmiga, irmã mais nova da atriz Vera Farmiga, se saem muito bem.

Nenhum dos jovens representados precisa de dinheiro ou vem de uma família pobre, no entanto, eles transformam o hábito de conseguir objetos de celebridades em algo recompensador para suas vidas. Utilizando o roubo como uma maneira divertida de passar o tempo e aparecer nas redes sociais. O tema do filme toca, apesar de não se aprofundar, na alienação parental da alta classe social e as inversões de valores da juventude.

Sofia Coppola consegue imprimir um grandioso trabalho com a sua assinatura de forma leve e descontraída, como momentos para risos e descontração, sem esquecer a mensagem dura por traz das bonitas cenas. Emma Watson, mais uma vez, confirma a sua carreira no cinema e prova que tem muito mais para apresentar depois de Harry Potter. Bling Ring: A Gangue de Hollywood é um filme sobre jovens, mas não necessariamente vai agradá-los.

 Nota: 3.5

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