Crítica | Como Não Perder Essa Mulher

Crítica | Como Não Perder Essa Mulher

Ansiosos para ver o desempenho de Joseph Gordon-Levitt atrás das câmeras? Expectativas atendidas. Don Jon, com a péssima tradução de Como Não Perder Essa Mulher no Brasil, é uma das melhores comédias do ano. Sem escárnio ou de forma esdrúxula, Gordon-Levitt consegue levar a história de uma cara machista ao extremo, metódico e viciado em pornografia de forma natural e divertida.

O filme é tão bem conduzido que a exposição da mulher como objeto não incomoda, na verdade, aos poucos o roteiro constrói uma crítica velada tanto ao império da pornografia quando da religião. O desenvolvimento dos personagens é ótimo, apesar de loucos em sua forma de ser, em nenhum momento eles soam caricatos ou forçados. Joseph Gordon-Levitt se entregou por inteiro ao papel e, para o público assíduo das poltronas, é prazeroso assistir essa transformação do ator, conhecido por fazer tipos intelectuais, como Tom em 500 Dias Com Ela (2009).

Aqui, ele é exatamente o oposto. Um homem de poucos prazeres, com um padrão de vida determinado e amante de videos pornográficos. A edição do filme fez um trabalho espetacular em cima da dinâmica da história, rápido, óbvio e direto ao ponto, o que corrobora com a narrativa e o comportamento do protagonista. Os 10 primeiros minutos de filmes já prendem o espectador na poltrona. O grande mérito do fascínio inicial é exatamente realizado pelo jogo de câmera, os efeitos sonoros e o texto impecável.

Da cabeça e da boca do personagem principal saem todas aquelas verdades veladas pela sociedade sobre sexo e relacionamento, assim, os homens sentados no cinema concordam quase que 100% com as palavras do protagonista. Quanto mais Jon descreve seu jogo de conquista, mais o público se vê dentro dessa atmosfera. Após um começo arrebatador, aparece Scarlett Johansson para levantar ainda mais o astral do público masculino.

A atriz parece ter nascido para esse tipo de papel: gostosa, rica, patricinha e mimada. Com direito a várias fotos de espelho no Facebook, o roteiro traça o perfil da personagem de forma indireta. O filme inteiro significa sem ter que mastigar e cuspir para o público o seu propósito. Toda a descrição dos personagens fica a mercê da nossa interpretação. Com Barbara (Johansson), Jon encontra uma mulher fora dos seus padrões, como ele mesmo diz, uma número 10.

Assim, ele percorre um caminho diferente na sua vida, realizando todas as vontade de Barbara para conseguir um dia dormir com ela. A lista de exigências dela não é pequena e, desse modo, acompanhamos um jogo de sedução que se desenrola com a maioria dos casais. Quando um homem está interessado, ele faz de tudo, e a mulher se desdobra para não sair perdendo e prolongar essa disputa.

Jon apresenta Barbara para os amigos, para a família, se matrícula numa faculdade noturna, tudo para satisfazer as vontades de sua nova parceira. Ele se sente apaixonado, mas o sexo real não o satisfaz tanto quando a pornografia, o personagem explica claramente de forma pontual e engraçada os seus motivos. Só que uma mulher como Barbara não aceita esse tipo de comportamento. Ou ele larga a pornografia ou ela. Então, é fácil largar um vício?

Com um papel secundário, Julianne Moore aparece de forma tímida no meio da trama e vai conquistando o seu espaço aos poucos. De repente, ela já é uma das coisas mais importantes da história. O ritmo acelerado do filme, apesar de se ater muito bem aos pequenos dilemas, tem suas desvantagens. No final, esse compasso prejudica o desenlace de Jon. Tudo acontece muito rápido e quando percebemos está subindo os créditos.

Don Jon é um filme divertido que aborda a adoração pela pornografia sem papas na língua e ao mesmo tempo de forma discreta, sem explorar o óbvio. O que podia ser uma obra de mal gosto se torna um agradável passatempo entre casais. Atenção para os personagens Jon Sr. (Tony Danza), Monica (Brie Larson) e Angela (Glenne Headly), eles são um espetáculo à parte.

Nota: 4.5

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