Crítica | Ela Vai

Crítica | Ela Vai

A diretora e roteirista Emmanuelle Bercot desenvolveu Ela Vai (Elle s’en Va) especialmente para a eterna musa do cinema francês Catherine Deneuve. A história esbarra em algumas semelhanças da vida da atriz e monta uma road trip de autoconhecimento de mulher aos 60 anos. Na trama, Bettie (Deneuve) descobre que seu amante deixou a esposa para ficar com outra mulher, além disso, ela chefia o restaurante da família que corre grandes riscos de fechar.

Como um sinal de alerta, Bettie volta a fumar e, num belo dia, larga o restaurante e sai pela estrada em busca de cigarros. A ânsia pelo fumo a leva para diversos lugares e cômicos encontros. Um deles é um velhinho que conta sua derradeira história de amor da juventude, enquanto enrola um fumo durante longos minutos com as mãos tremulantes.

Ainda em busca de um maço, a viajante para num exótico bar a espera do vendedor clandestino da região. Entre uma dose e outra de bebida, ela acorda em um quarto de hotel desconhecido e numa situação pouco confortável. No meio de sua trajetória, a filha Muriel – vivida pela cantora Camille – pede que leve o neto Charly (Nemo Schiffman) para casa do avô paterno. O relacionamento entre Bettie e Muriel é distante, portanto, o neto mal conhece a avó e a longa viagem de carro passa ser um aprendizado para sexagenária e para o pequeno Charly.

Após um início de desavenças, os dois começam a se entender e as situações difíceis geram uma cumplicidade entre eles. Ao longo dessa jornada, Bettie comparece ao encontro de ex-Miss França do ano de 1969 e reencontra antigas colegas. Entre uma conversa e outra, elas expõem as questões de beleza, desejos e satisfação na fase dos 60 anos. Além disso, o filme brinca bastante com os clichês da terceira idade como a melhor fase da idade e sobre os pontos de vista de uma mulher madura.

Bercot tece uma comédia deliciosa e envolvente sobre a liberdade e esperança de que a vida não tem um ponto final, até chegar a morte. Catherine Deneuve é a mulher símbolo dessa mensagem de recomeço sem limites de tempo ou classe social. Ao cruzar estradas, Bettie percebe que a falência do seu negócio e suas desilusões amorosas são apenas mais algumas vírgulas na sua longa história.

Enquanto a carismática personagem nos conta do seu passado, ela também traça o seu futuro. Ela Vai mistura uma boa lembrança das nossas realizações com as nossas vindouras possibilidades. É um filme sobre relacionamentos, redenção, perdão e sacrifícios. Dificilmente, uma mulher nessa fase da vida não vai se identificar com alguma parcela da história, ou pelo menos, se extasiar com as descobertas e aventuras de Bettie/Catherine Deneuve.

Nota: 4

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