Crítica | Jogos Vorazes: Em Chamas

Crítica | Jogos Vorazes: Em Chamas

Após ler a trilogia de Suzanne Collin, é difícil separar o livro de sua adaptação para o cinema. Vale sempre ressaltar, no entanto, que são duas leituras completamente diferentes. Neste caso, o distanciamento é maior porque o livro é narrado em primeira pessoa e o filme tenta mostrar um panorama mais completo da história. Como filme em si Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games – Catching Fire) é bom, agrada os fãs e tem todas as características básicas de uma trama bem engendrada, além de doses suficientes de ação e emoção.

Em comparação ao primeiro filme da saga, este é ótimo, muitas falhas de produção e edição foram corrigidas. Os protagonistas estão mais entrosados e os novos personagens preencheram os requisitos com a competência de Sam Claflin (Finnick Odair) e Jena Malone (Johanna Mason). Ambos deram vida a petulância, sarcasmo e rebeldia de um vitorioso dos Jogos Vorazes em Panem. Apresentá-los ao público de forma competitiva foi uma ótima estratégia e a rixa entre Katniss (Jennifer Lawrence) e o presidente Snow (Donald Sutherland) também aguça o interesse pela nova trama.

Minha principal objeção à adaptação é que a protagonista do filme não possui a mesma força da do livro, Jennifer Lawrence é uma boa atriz, mas ela não consegue passar toda a confusão da personagem durante essa segunda trajetória. A trama aumenta o embate do coração adolescente de Katniss entre o amor de Peeta (Josh Hutcherson) e a paixão de Gale (Liam Hemsworth), tanto que o início do filme seus sentimentos parecem caminhar para um lado, entretanto, o rumo muda de repente de sentido.

Para conseguir apresentar todos os pormenores do segundo livro, o filme é bastante corrido. As cenas são muito rápidas e objetivas. São poucos os momentos em que conseguimos respirar e nos deixar levar pela história. Esse fato é um dos pontos negativos da obra, não dá tempo de torce por ninguém, nem se envolver. É costume mudar detalhes da trama literária para encaixar e desenvolver o roteiro, mas algumas mudanças de atitude dos personagens incomodam, principalmente em relação a mãe de Katniss (Paula Malcomson).

Em Chamas é pautado pela vingança e a vontade de rebelião. Nesta continuação, a trama cresce bastante, pois passa da vida miserável de Katniss e suas dúvidas para a problemática de uma nação absolutista com a esperança de dias melhores. Os acontecimentos dos últimos Jogos mostraram para toda a população que a Capital não é tão poderosa quando parecia. Assim, vários distritos começam a se rebelar e lutar contra os Pacificadores, os soldados responsáveis por manter as regras de cada região.

Por esse ponto é ótimo constatar o interesse de jovens de todo mundo sobre uma história relacionada com a luta das classes e a reforma política. O filme deixa claro que é terrível viver sob um regime absolutista, numa vida de escravidão e fome com objetivo de sustentar a fartura e o luxo de poucos. Vivemos numa democracia, mas isso não é muito diferente da nossa realidade. Esta perspectiva devia ser mais explícita na história, acredito que Francis Lawrence pegou leve com as cenas de rebelião e combate. No total, entretanto, ele fez um bom trabalho e nos deixou na expectativa pelos próximos dois filmes. Eles prometem muita luta, amor e guerra.

Nota: 4

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