Crítica | Laura

Crítica | Laura

Quem é Laura? Dona do título e história deste documentário, o maior enigma dessa obra é o motivo da realização desse filme. Ao longo dos 78 minutos, procuro uma explicação para essa produção. Laura é apenas uma decadente socialite, que sofreu um trauma na vida e resolveu largar tudo e viver o glamour com o qual sempre sonhou, mas nunca conseguiu alcançar. Laura é um personagem fictício da vida real, o qual fascinou o diretor Fellipe Barbosa e o motivou apresentá-la para o mundo.

Provavelmente, essa sensação é de uma jornalista que muitas vezes tentou arrancar leite de pedra com o objetivo de conseguir um personagem interessante para uma matéria. No final das contas, todas as pessoas são interessantes, depende da abordagem do narrador. Aqui, esse trabalho é de Fellipe Barbosa e dos roteiristas Karen Sztajnberg e Lucas Paraizo. No início, Laura é uma mulher enigmática que entra em festas badaladas de Nova York e fica ao lado de Clive Owen e Julia Roberts.

Mais logo depois o glamour da vida de Laura vai se dissolvendo, Fellipe tenta mostrar um pouco da vida particular dessa mulher, no entanto, ela não quer. Laura deseja fazer um filme sobre a sua vida como um videoclipe, apenas com tomadas bonitas, os melhores momentos e música ao fundo. Ela reclama, reclama e reclama. O embate com o diretor toma conta de uma boa parte do filme, e a metalinguagem ganha espaço nesse contexto. Ela diz como fazer o seu filme e Fellipe mostra como quer o dele.

Assim, a imigrante argentino-brasileira passeia pelas ruas e boates de Nova York sem muito propósito, por vezes, o diretor consegue arrancar declarações engraçadas e curiosas de sua vida. A segunda parte do documentário é concentrada no pequeno apartamento de Laura cheio de tranqueiras, as quais ela adora aguarda, detesta mostra a outras pessoas e tem pavor de jogar fora. Convencê-la se desfazer de algum desses lixos ocupa boa parte dos produtores e do filme, infelizmente de forma infrutífera.

Laura é uma mulher bonita, engraçada, encrenqueira e cara de pau, seus méritos como protagonista de documentário podem ser definidos em poucas palavras. Laura nunca fez nada marcante para a sociedade, mas para as pessoas ao seu redor ela é marcante e exuberante. Sem filhos para levar sua história, com mais de 50 anos, Laura é eternizada num filme pelo fascinado Fellipe Barbosa. Comparada por alguns críticos estrangeiros com o filme Bonequinha de Luxo (1961), a protagonista é bem menos carismática do que Audrey Hepburn, mas talvez consiga encontrar seu público de admiradores, assim como na vida real.

Nota: 2

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