Crítica | Michael Kohlhaas

Crítica | Michael Kohlhaas

Com ares de épico, o longa franco-germânico Michael Kohlhaas é uma obra simples e tensa. O grande trunfo do pouco conhecido cineasta Arnaud des Pallières é o protagonista Mads Mikkelsen, famoso pelo ótimo A Caça (2012) e o seriado Hannibal (2013), já considerado uma dos maiores atores desta geração. Com a responsabilidade do personagem título, Mads encarna o guerreiro do século XVI em busca de justiça.

Michael Kohlhaas é um próspero comerciante de cavalo na região de Cévennes, no sul da França. Ao ser injustiçado por um barão que apreende os seus cavalos e os devolvem em condições deploráveis, Kohlhaas clama por justiça e leva o seu pedido até o julgamento da corte.  Um parente do barão na justiça, no entanto, declina o pedido e o ameaça a não tentar novamente.

Dessa forma aparentemente boba, uma série de consequências torna um ato de soberba de um barão mimado numa guerra de camponeses contra o império. Apesar de se tratar de séculos atrás e de uma zona rural da França, as premissas do roteiro são bastante atuais na nossa sociedade. Traçar um paralelo entre o poder judiciário e executivo em relação aos direitos do povo em vários locais do mundo nos dias atuais com essa narrativa não é uma completa viagem.

Medidas autoritárias geram comportamento de revolta, a história se repete em todos os séculos e locais. Michael Kohlhaas tem muito a perder, suas terras, sua esposa (Delphine Chuillot), sua filha (Mélusine Mayance) e sua liberdade, mas mesmo assim lidera uma batalha para matar o barão responsável pelas suas auguras ou, pelo menos, condená-lo por seus atos e reconstituir seus direitos.

Considerado um homem religioso e pai de família, Kohlhaas revoga todas as suas crenças em busca da vingança, a qual crer ser a maneira mais correta de acabar com essa desavença com o império. Ora aconselhado por seus companheiros de luta, ora por um teólogo, o protagonista se vê na dúvida sobre suas atitudes e decisões e como será o desenlace dessa história.

O diretor constrói a narrativa de maneira consistente e analítica, levando o público a se preocupar com a família do protagonista, com seu futuro e as causas pelas quais ele lutava. Apesar de pouco surpreendente, Michael Kahlhaas consegue prender a atenção do espectador até o último momento. É um bom filme de aventura e luta pelos nossos ideais sociais.

Nota: 3

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