Crítica | Muita Calma Nessa Hora 2

Crítica | Muita Calma Nessa Hora 2

Após o sucesso de Muita Calma Nessa Hora (2010), os produtores esperaram três anos para produzir uma sequência, sem muita lógica, mas plausível. O tempo serviu de plot para a nova história de reencontro das amigas Mari (Gianne Albertoni), Tita (Andréia Horta), Aninha (Fernanda Souza) e Estrella (Débora Lamm). Afinal, se você tem quatro amigas como protagonistas é só levá-las para outro ambiente e rodeá-las de piadas para um novo filme surgir. É exatamente o que Bruno Mazzeo faz.

A cidade de Búzios é trocada pela capital Rio de Janeiro, mais especificamente em Vargem Grande, Zona Oeste do município. O enredo muda das férias praianas para um festival de música, produzido por Mari. Nos bastidores desse evento se concentram as partes mais engraçadas da trama, além do elenco coadjuvante bem mais talentoso do que as quatro “meninas”, como Alexandre Nero, Luis Lobianco, Rafael Infante e o próprio Bruno Mazzeo.

Apesar de tentar se passarem por garotas na fase dos 20 e poucos anos, as atrizes já estão nos 30 e Fernanda Souza chega lá este ano. Muitas atrizes interpretam personagens mais novos, no entanto, elas conseguem ludibriar os espectadores. Aqui, a coisa é bem diferente. Das quatro, a melhor em cena é Fernanda Souza no seu papel carismático de indecisa e sonhadora, em contrapartida, Gianne Albertoni é o exemplo da falta de expressão.

Como esse não é um filme para grandes interpretações, mas boas sacadas e piadas, quem se destaca é Marcelo Adnet e Mazzeo, com seus personagens caricatos. O primeiro incorpora o paulista microempresário que gosta de tirar vantagem sobre os outros. Desse modo, o espectador quer que o cara se dê mal o tempo todo e é isso que acontece, como um processo catártico. Na outra ponta, aparece o cantor sertanejo Renan, representante da nova moda da música brasileira. O personagem afetado tem seus momentos engraçados, principalmente como uma sátira crítica.

O único problema  é que a trama principal é das quatro amigas e do pai da Estrella, Pablo, vivido pelo energético Nelson Freitas. Portanto, como um longa-metragem Muita Calma Nessa Hora 2 é ruim, entretanto, como um programa de entretenimento, assim como um stand up comedy, a produção se sai bem. Com mais de 30 participações especiais em formato de esquetes, as piadas são bem conduzidas sem apelar para o escatológico.

Muito dos momentos de graça são requentados do primeiro filme, o que pode fazer o público se simpatizar ou entediar-se. A primeira obra é superior a esta em vários aspectos, um deles é o enredo mais convincente, além do frescor de novidade. Para revisitar uma história é importante trazer elementos surpresas e sólidas mudanças, senão se transforma em enganação, isto é, mais do mesmo.

O principal mérito de Muita Calma Nessa Hora 2 é não se levar a sério, portanto, cabe todos os tipos de piadas no filme, como cópia de uma cena de O Palhaço (2011) e da novela Avenida Brasil (2012). O público que gosta de rir de situações constrangedoras, críticas humoradas da cultura pop e trocadilhos vai se divertir e indicar para o amigo. O texto de Bruno Mazzeo não faz mal a ninguém, apesar de estar longe de ser bem engendrado ou interessante. Já no ramo das comédias nacionais se sobressai com satisfação.

Nota: 2.5

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