Crítica | O Herdeiro do Diabo

Crítica | O Herdeiro do Diabo

A dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillet são conhecidos por seus curtas-metragens e uma sequência na coletânea de terror V/H/S (2012). Com esse histórico de produções, os parceiros decidiram mixar histórias de famosos filmes de terror e experimentar a produção de um longa-metragem. No entanto, a mistura de O Bebê de Rosemary (1968) com Atividade Paranormal (2007) não deu certo. O principal problema da obra é a sequência de erros em vários aspectos.

O erro primordial da narrativa é tentar fazer o filme inteiro pela perspectiva dos personagens Samanta (Allison Miller) e Zach (Zach Gilford). A câmera manual do protagonista não se justifica em muitas situações, além disso, as cenas possuem variados pontos de vista e cortes impossíveis para um filme pautado pela gravação amadora do protagonista. A utilização de câmeras de locais públicos e de diversos pontos da casa empobrecem a ideia central e não acrescentam nada ao espectador.

Aliás, esse é outro ponto cego do filme. Durante muito tempo nada acontece e não se cria nenhuma expectativa ou suspense na história. A gravidez dos recém-casados parece normal e, ás vezes, surgem apenas umas coincidências estranhas. As cenas entre eles são prolixas e modorrentas. A roteirista novata Lindsay Devlin comete um erro atrás do outro com repetições de ações já passadas para o espectador.

Por exemplo, para que uma cena no supermercado de Samanta comendo carne congelada, se depois viria ela a comer um animal morto no meio da floresta e mataria mais três pessoas sem deixar rastros? É uma louca mistura de situações em variadas câmeras – desde os convidados do casamento até um grupo aleatório de adolescentes no parque – , e o espectador não sabe o porquê está vendo tudo aquilo junto. Afinal, alguém achou aqueles vídeos? Quem fez a ligação entre esse bando de câmeras?

Se você não quer prestar atenção na confusão do enredo e se concentrar apenas nas cenas de horror, pode esquecer. Os sustos são bem raros e os diretores utilizam o recurso de escuro total com apenas flash para não mostrar o que não sabem fazer de verdade. E aí quando as coisas começam a ficar interessantes, O Herdeiro do Diabo acaba.

Todos os acontecimentos e resoluções ocorrem em 20 minutos, ou seja, são mais de uma hora de embromação total do espectador. Para fechar com “chave de ouro”, o roteiro tenta ainda dar uma explicação idiota para toda a concepção da história no minuto final. A propaganda do filme com o bebê demoníaco no carrinho era bem mais assustadora.

Nota: 1

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