Crítica | Os Estagiários

Crítica | Os Estagiários

A dupla Owen Wilson e Vince Vaughn já é conhecida do público amante da comédia, portanto, se você gostou da interação dos dois em Penetras Bom de Bico (2005), é possível apreciar bastante Os Estagiários. No momento em que as comédias produzem cenas de escatologias e situações grosseiras para arrancar uma risada dos espectadores, o longa de Shawn Levy diverte de uma maneira simples, honesta e reflexiva. A produção conta ainda com a participação especial de Will Ferrel, parceiro de Vaughn em outros cinco filmes.

O pontapé desta história é o aperto do mercado de trabalho na era da nova tecnologia da informação. Quem não sabe manipular ferramentas virtuais e não pensa em inovação está fora do atual panorama profissional. Para apresentar esse sistema mercadológico da vida moderna, os roteiristas criaram os personagens Billy McMahon (Vaughn) e Nick Campbell (Wilson), dois quarentões no mercado de vendas de relógios analógicos. Eles são bons no que fazem, no entanto, o seu produto está ultrapassado e a empresa para qual trabalham vai a falência.

Assim, aos 40 anos de idade, eles buscam recomeçar uma carreira para pagar as contas do dia a dia. A resposta surge por meio do programa de estágio da empresa Google, atual líder de mercado de tecnologia ao lado do Facebook. A partir da entrada dos dois quarentões no terreno de jovens recém-formados ou ainda na faculdade, o filme se torna um grande cartão de visitas da Google. Se a empresa fosse fictícia não ia incomodar tanto as pessoas, mas como tudo ali é posto como verdade, ou muito perto disso, não é fácil se desligar da propaganda embutida.

Por outro lado, se nos atemos apenas na trama verificamos mais um filme sobre competição e testes de aptidões, em que os desacreditados sempre vencem no final. Para fugir do lugar comum, pelo menos, os roteiristas conseguiram criar desafios mais originais e um jogo de valor entre inteligência e experiência. Uma das cenas mais emblemáticas é a partida de quadribol – referência aos livros de Harry Potter –, em que os personagens correm com vassouras entre as pernas.

As referências jovens e nerds são bem distribuídas pelo filme para alegria do público apreciador dessas obras, como os quadrinhos do X-Men e o seriado Game Of Thrones. Esse ponto se comunica muito bem com as características dos candidatos a uma vaga em uma das maiores empresas do mundo. São eles jovens apreciadores da cultura pop, com educação de ponta e raciocínio rápido, muito bem representados pelo time de novatos atores que contracenam com os protagonistas.

A graça do filme se fortalece no jogo entre gerações e nas referências de cada uma delas, como o personagem de Vicent Vaughn utiliza o filme Flashdance, de 1983, para motivar sua equipe na disputa. Escrito pelo próprio ator, o longa tenta quebrar os paradigmas da idade e da inteligência. Afinal, uma pessoa inteligente não pode ser divertida? A imagem do nerd gordo sem amigos, sentado na frente do computador já mudou tanto no cinema quanto na televisão.

É bastante agradável assistir a uma comédia sem tombos e flatulência, mas Os Estagiários traz também uma boa mensagem sobre superação, perseverança e trabalho em equipe, bastante manjada em filmes para adolescentes, mas pouco utilizada em produções para o público maduro. Com esses pensamentos, o filme aborda uma questão preponderante entre as outras: sempre é tempo de aprender.

Nota: 3

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