Crítica | Pelos Olhos de Maisie

Crítica | Pelos Olhos de Maisie

À primeira vista a sinopse de Pelos Olhos de Maisie não oferece nenhum atrativo, talvez, apenas, a participação de Julianne Morre (Como Não Perder Essa Mulher). O filme, no entanto, é uma grata surpresa para os espectadores.  De forma delicada, os diretores David Siegel e Scott McGehee apresentam as confusões de pais poucos atenciosos numa disputa judicial pela guarda da filha. O mágico da história é que tudo isso é apresentado pela perspectiva da menina de sete anos.

Portanto, uma história de brigas e disputas se torna num belo e cuidadoso olhar de alguém inocente e sem entender exatamente o que se passa. É uma das poucas obras em que a protagonista mirim é realmente uma criança normal, perdida no mundo de decisões pouco sábias dos adultos. A pequena Maisie, interpretada maravilhosamente por Onata Aprile, nos conquista pouco a pouco com seu jeitinho frágil e seu rosto meigo.

A sensação ao longo do filme é de querer tirar Maisie daquela bagunça e cuidar dela. Sua mãe Susanna (Julianne Moore) é uma estrela do rock e seu pai Beale (Steve Coogan), um influente galerista de arte. A mulher vive no estúdio gravando ou em turnê com a banda, enquanto ele viaja bastante e passa muito tempo em reuniões. A relação deles chega a um ponto insustentável e o divórcio é o único caminho para se manter a paz. No entanto, a vida atabalhoada de ambos se torna um grande problema para a pequena Maisie.

Para lutar pela filha, Beale se casa com Margo (Joanna Vanderham), ex-babá da menina. Assim, Maisie sai da casa da mãe e passa a viver com o pai. Revoltada com a situação, Susanna se envolve com o simples e brincalhão Lincoln (Alexander Skarsgård), garçom de um bar noturno. A nova relação lhe garante passar alguns dias com a filha também e, assim, eles conseguem a guarda compartilhada.

Apesar de o filme focar no olhar da menina, ele não transmite seus pensamentos. Tudo que sabemos é o que ela fala para os pais e seus novos responsáveis, suas poucas e sinceras declarações são de apertar o coração. É evidente que Maisie fica feliz em poder ficar com a sua antiga babá, já que era ela que passava mais tempo com a menina. No entanto, Margo logo é a próxima a se sentir abandonada. Após a lua de mel, Beale raramente está em casa e o casamento parece fadado ao mesmo destino do anterior.

Do outro lado da vida de Maisie está Lincoln. No começo, a menina estranhava a presença do homem alto e desconhecido, mas com o seu jeito bobo ele consegue rapidamente fisgar a menina, o que gera ciúmes em Susanna. Ele se importa com os desenhos dela, os passeios, as brincadeiras. As cenas dos dois juntos são muito bonitas e contemplativas, o tipo de mensagem embutida para a gente dar valor as coisas pequenas da vida.

Como todo esse cenário, Maisie passa por maus bocados, é esquecida na escola, abandonada na porta de um restaurante. A menina se sente desamparada e a sua frustração fica estampada no seu rostinho, sem necessidade de palavras. Pelos olhos de Maisie, vemos um contundente retrato sobre alienação parental, sem julgamentos ou aprovações, mas de forma bem consciente.

Ao final de contas, percebemos que não é muito difícil agradar um criança. Durante toda projeção, torcemos para ver um sorriso no rosto de Maisie e saíamos um pouco indignados com os personagens, entretanto, encantados pela pequena Onata Oprile.

Nota: 4.5

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