Crítica | Rush: No Limite da Emoção

Crítica | Rush: No Limite da Emoção

A famosa história da rivalidade entre os pilotos James Hunt e Niki Lauda ganhou uma primorosa versão cinematográfica. Rush – No Limite da Emoção consegue equilibrar a vida profissional e pessoal dos seus protagonistas sem tornar em nenhum momento piegas ou racional demais. A balança do roteirista Peter Morgan (360) e do diretor Ron Howard (Anjos e Demônios) funciona perfeitamente e oferece um filme de primeira tanto para os amantes das pistas quanto para os espectadores exigentes.

Quem duvidada da versatilidade de Chris Hemsworth pode se surpreender, ou simplesmente suspeitar que ele se encaixe perfeitamente no papel do boêmio e bonitão piloto britânico James Hunt. O olhar de conquistador e desbravador é muito bem explorado pelo ator e o diretor, além disso, essa característica representa grande parte do perfil público do piloto. Sempre com uma mulher bonita ao lado e uma garrafa de bebida alcoólica, Hunt sabia comemorar suas vitórias e aproveitar todas as regalias da fama.

Explorar o lado pessoal dessa figura mítica do automobilismo é interessante e revigorante, uma vez que o protagonista consegue transforma suas baixas em combustível para algo melhor e sempre dá a volta por cima. Não é apenas Hunt que garante essas viradas narrativas, o caminho de Niki Lauda também é traçado da mesma forma. De maneira que não há ganhadores e perdedores, o grande mote do longa é a rivalidade.

O ator Daniel Brühl está seguro como o metódico e dentuço Niki Lauda, sua fisionomia séria e de pouco amabilidade representa um profissional calculista e extremamente inteligente. A partir dessas personalidades tão contraditórias, o campeonato da Fórmula 1 de 1976 se tornou um dos mais emocionantes do esporte. Quem não conhecia a história da disputa, como eu, pode se pegar torcendo por um resultado já definido.

Os cortes de cenas de Ron Howard durante as sequências de corrida são muito bem premeditados para gerar expectativa e suspense. As tomadas da plateia, dos motores, da fisionomia dos pilotos e dos bastidores são intensas e conseguem transportar o público para dentro da corrida, mas ainda melhor, com uma visão onisciente de cada detalhe. Mesmos os apaixonados pelas pistas e conhecedores da rivalidade vão se encantar por acompanhar esse jogo de interesses por outro ponto de vista.

As atrizes coadjuvantes Olivia Wilde (da série House) e Alexandra Maria Lara (O Leitor) dão força ao filme ao mostrar de uma maneira colateral a experiência de ser a mulher de um piloto de Fórmula 1 e adrenalina por trás dos riscos de cada prova. O perigo e a iminência da morte são destacados de modo contundente, mas não prejudica a aventura da história nem o tom lúdico dessa representação da realidade.

Rush: No Limite da Emoção consegue mesclar vários departamentos da vida dos protagonistas e concede a narração da trama para cada um deles em determinados momentos. Após os terríveis Ricky Bobby, a Toda Velocidade (2006) e Alta Velocidade (2001), Ron Howard nos brinda com um filme interessante e apaixonante sobre automobilismo, com duas figuras emblemáticas do esporte e uma trama que envolve amor, superação, desafio, perseverança, competição, luta e amizade. 

Nota: 4.5

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