Crítica | Divergente

Crítica | Divergente

Mais uma saga da literatura juvenil chega às telonas, assim como Jogos Vorazes, Os Instrumentos Mortais, Dezesseis Luas e Crepúsculo. Mas não é tudo a mesma coisa, apesar de a história ser protagonizada por menina de 16 anos que vê sua vida mudar completamente por causa de um acontecimento extraordinário, plote de todas as outras narrativas. Diferente das insossas sagas de vampiros, Divergente tem um viés político e uma nova sociedade instaurada, assim como a de Katniss e Peeta, e lembra bastante o desenvolvimento de Harry Potter, sem a parte da bruxaria, é claro.

A protagonista Beatrice “Tris” Prior (Shailene Woodley) precisa escolher para qual facção seguir, continuar na Abnegação, com a qual ela não se identifica, ou optar por uma das outras quatro alternativas. Nessa sociedade distópica, aos 16 anos, todos os jovens devem decidir em que caminho deve seguir, uma carreira e construir uma vida dentro de uma facção. O enredo deixa bem claro que a protagonista inveja o modo de vida da Audácia, facção de soldados e responsável pela segurança da cidade.

Assim, a pequena introdução explica a sociedade dividida em castas, no entanto, com certa “liberdade” de escolha, determinada por um teste de aptidão. O drama da protagonista começa no momento do “exame vocacional”. De forma bem ligeira, o roteiro apresenta a dúvida da menina, seu desejo, sua incerteza e, por fim, sua coragem repentina. O teste de Beatrice é Divergente. Sem saber o que isso significa, ela se apega a reação assustada dos outros e carrega o segredo consigo.

A partir de então, o filme produz um mistério e passa para fase das provas e aprovações da personagem principal. Sem o Chapéu Seletor, os próprios alunos se designam para a facção desejada, mas todos têm um período de teste para ser aceito ou se tornar um sem-facção, algo como moradores de ruas. Muito mais leve que o livro de origem, o longa não explora tanto a violência nos corredores da Audácia, mas agrada com bastantes cenas de lutas e desafios, algo que lembra os primeiros momentos de Harry Potter em Hogwarts e realização de amizades em um mundo ainda inexplorado.

O preconceito e o desconhecimento do modo de viver de uma facção para outra são aspectos interessantes do livro, além disso, o papel do destemido e imponente Quatro (Theo James) é bem desenvolvido. Líder dos iniciados transferidos, ele tenta fazê-los se sentir inferiores e ensiná-los a lutar. Tris é pequena, magra e fraca, suas condições a fazem pensar desistir, mas a implicância do instrutor a estimula a tentar sobreviver no grupo. Em poucas cenas, Quatro passa de uma ameaça para protetor.

Embora com papéis pequenos, Kate Winslet e Ashley Judd roubam a cena quando aparecem. Na pele de Jeanine Matthews, Kate tem o tom certo para manipuladora e calculista vilã desse primeiro longa. Já como Natalie Prior, Ashley traz um tom carinhoso e condescendente como a mãe da protagonista. A relação entre as duas é pouco desenvolvida nos minutos de projeção, entretanto, mais à frente será imprescindível para entender o mistério por traz dos Divergentes.

Os olhos amendoados de Shailene Woodley deram a Tris o tom assustado, triste e desafiador da personagem. Enquanto isso, o romance entre o líder e a improvável guerreira é bem construído, mas como todas as coisas da história, é corrido e não dá tempo para nos envolver. Pelo menos, dessa vez, o romance juvenil não é baseado num triângulo amoroso, e o foco do filme é o amadurecimento e as escolhas da protagonista em um mundo desconhecido tanto para os espectadores quanto para ela.

Os momentos finais são de muitos tiros, lutas e lutos, algo bem diferente do proposta dos outros livros do gênero. Afinal, a protagonista não tem poderes mágicos, ela apenas aprendeu a atirar e sabe pesar rápido. O filme é ágil e conseguirá seu espaço entre o público, no entanto, a versão dublada traz diálogos bem ruins e, de fato, esse não é forte do filme. A maioria das falas é vazia e, por vezes, sem muito sentido.

Não vou entrar no âmbito da adaptação, muita coisa foi mudada para a história tomar um contorno mais veloz e muitos momentos impactantes foram retirados, talvez com receio de chocar o público pipoca. Ao todo, Divergente é um bom entretenimento para os jovens e os adultos, além disso, é possível depreender uma reflexão da trama. A questão política aqui é apenas sugerida, contudo, deve tomar maiores proporções nas sequências, com muito mais ação e mistério.

Nota: 3.5

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