Crítica | Inatividade Paranormal 2

Crítica | Inatividade Paranormal 2

Com o surpreendente sucesso do primeiro Inatividade Paranormal, Marlon Wayans encomendou o segundo longa da paródia de filme de terror. As diferenças entre esta e a obra anterior são poucas, no entanto, Inatividade Paranormal 2 consegue ser pior do que seu antecessor. Sem a condução de uma trama, a comédia se desenvolve em forma de esquetes com cenas dos recentes Invocação do Mal, Sobrenatural, A Entidade e Possessão, basicamente.

Para dar continuidade ao primeiro longa, a ex-namorada possuída (Essence Atkins) aparece em algumas cenas, mas sua participação é irrisória. Uma das poucas coisas boas da produção anterior, que era a sintonia entre o casal, desaba nessa sequência. Após os acontecimentos do último ano, Malcolm (Wayans) arranja uma nova namorada, Megan (Jaime Pressly), uma loira com dois filhos: a adolescente rebelde Becky (Ashley Rickards) e o garotinho Wyatt (Steele Stebbins).

O casal não tem a menor sintonia e a sem graça Jaime Pressly fica perdida entre a comédia e as cenas absurdas do enredo. Seu papel não tem outra função a não ser ressaltar o preconceito das relações interraciais. Normalmente, esse tipo de paródia elege um filme principal para seguir a trama, enquanto desenvolve cenas de outras obras. Aqui, entretanto, é apresentada uma misturada sem lógica. O roteiro se apoia no recurso de câmeras por todos os lados de Atividade Paranormal, mas esquece completamente delas em alguns cortes.

Para forçar o riso dos espectadores, Wayans tem uma longa cena de relação sexual com a boneca Abigail, em analogia a Annabel, de Invocação do Mal. A simples insinuação passa longe, as cenas são bastante explícitas, com direito a bunda do protagonista em evidência diversas vezes. O nível dessa sequência é tão exagerado, que as cenas de sexo com a sua parceira de carne e osso são bem leves, sem apelos visuais.

Dessa vez, as piadas homofóbicas dão lugar para as xenofóbicas e raciais. São diversas em relação ao vizinho mexicano Miguel (Gabriel Iglesias) e a visão dos norte-americanos sobre os afrodescendentes, entretanto, sem nenhuma construção crítica. Tudo é apenas deboche e escarnio ligado no modo hiperativo. Além das famigeradas cenas de sexo e o grosseiro consumo de droga, o espectador é contemplando com momentos escatológicos com cocô, xixi e vômito. Algumas coisas podem funcionar na provocação da gargalhada, mas nem tudo.

Se a primeira aventura já não era boa, a sua versão requentada é centenas de vezes pior. O filme faz o espectador rir, porque essa é a única forma de encarar o que é transmitido na telona, como um momento de catarse do absurdo. Inatividade Paranormal 2 é uma bizarra junção de esquetes chocantes, com direito a briga e assassinato de um galo, além de exaltação das drogas e promiscuidade.  E, claro, um final sem coerência.

Nota: 1

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