Crítica | O Grande Herói

Crítica | O Grande Herói

Após os execrados Battleship: A Batalha dos Mares (2012) e Hancock (2008), o diretor e ator Peter Berg consegue realizar um bom filme de guerra baseado em fatos reais. Bem conjugados, os elementos de tensão, ação e decisão estratégica dão um tom dinâmico e sagaz para O Grande Herói (Lone Suvivor), apesar de a trama ser focada em apenas quatro marinheiros norte-americanos.

Eles são enviados ao Afeganistão em busca de um homem de confiança de Osama Bin Laden, no entanto, o pequeno grupo não contava com um exército à sua espera e, muito menos, que um velho com um rapaz e uma criança cruzassem o seu caminho. Como todo filme de guerra, o tiroteio e as explosões estão presentes, mas como se trata de um caso bem específico, o enredo explora o emocional dos soldados envolvidos no episódio e nos envolve nos seus dilemas.

A problemática entre vida e morte torna o filme bem mais cativante ao olhar dos espectadores. Apesar de não enfrentarmos situações limites como numa guerra, nos confrontamos com decisões geradoras de consequências inimagináveis quase sempre. Ao poupar a vida de uma criança afegã, os soldados põem em risco as suas. A grande decisão está entre carregar uma culpa ou tentar sobreviver na batalha.

Os quatro tentam decidir o próximo passo sem auxílio do seu comandante (Eric Bana), que por um infortúnio não consegue comunicação pelo rádio e, consequentemente, o pedido de reforços. Com mais de 200 homens de sobreaviso, eles não conseguem ajuda e se encontram cada um por si. A bravura dos soldados norte-americanos e os ideais patriotas são reforçados pelos diálogos e a disposição do elenco.

Os soldados Marcus Luttrell (Mark Wahlberg), Michael Murphy (Taylor Kitsch), Danny Dietz (Emile Hirsch) e Matt ‘Axe’ Axelson (Ben Foster) são protagonistas dessa aventura trágica da vida real. Como sair vivo de uma troca de tiros com número de inimigos 50 vezes maior? Em nome da honra, aos poucos as vítimas começam a aparecer e nos faz repensar no propósito de poupar uma vida pela sua. Para surpresa dos seus descrentes perseguidores, Wahlberg tem uma explosão de interpretação. Seu personagem é confrontado de tantas formas que a sua atuação é o que garante mais emoção e tensão para história.

Com duas horas de duração, o filme consegue ser ágil a ponto de não percebemos a chegada do final e não dá tempo nem de piscar. Esta sensação não é negativa. Conseguimos compreender todos os parâmetros da trama, desde a atenção dos companheiros na central de controle, passando pelo confronto em campo e o socorro que vem das formas menos esperadas. O Grande Herói é um pouco ufanista por causa da necessidade de construir heróis para população, mas também é um entretenimento de alto nível, que há muito tempo não passava pelas mãos de Peter Berg.

Nota: 3.5

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