Crítica | Os homens são de Marte... E é pra lá que eu vou

Crítica | Os homens são de Marte… E é pra lá que eu vou

Após o sucesso da adaptação teatral Minha Mãe é Uma Peça, outro campeão de bilheteria dos palcos chega às telonas. Com o tom de comédia na medida certa e uma narrativa bem construída Os Homens são de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou apresenta um trabalho bem pensado e tem tudo para conquistar o público nacional. As semelhanças com a adaptação supracitada incluem a presença do humorista Paulo Gustavo, mas param por aí.

Bem situado no gênero da comédia romântica, o longa baseado no texto de Mônica Martelli e adaptado por ela mesma e sua irmã Suzana Garcia usa o humor para contar a trajetória de Fernanda, uma mulher de 39 anos, bem-sucedida profissionalmente, mas em busca do verdadeiro amor, ou melhor, um homem para compartilhar a vida e se casar. Diferente da peça teatral e de grande parte das comédia nacional atual, o filme não é montado em esquetes para causar risos, mas de forma envolvente a ponto de fazer o espectador torcer pela protagonista.

Depois de viver a personagem durante anos nos palcos, Mônica praticamente incorporou o seu papel e arrasa em todos os momentos, com a sua presença de cena, o corpo malhado e as fases emotivas de Fernanda. Sua narrativa em off, isto é, seus pensamentos secretos são intimistas e divertidos, dificilmente as mulheres não vão se identificar com o tipo de abordagem, até as muito bem casadas. O roteiro é um primor narrativo, sem deixar nenhuma ponta solta, com espaço bem desenhado para deixar os coadjuvantes Paulo Gustavo e Daniela Valente mostrarem um pouco de si, sem fugir da rota principal.

Com um time de pretendentes de galãs da televisão e até de uma participação especial do alemão Peter Ketnath (Cinema, Aspirinas e Urubus), os amores de Fernanda e sua relação com os homens são bem desenvolvidas em quase duas horas de projeção, que passam como mágica. São muitas desilusões em curto período de tempo, mas todas apresentam um começo, um desenvolvimento e um final bem costurado. Dá tempo de Fernanda sofrer, se reerguer e se entregar novamente a sua próxima paixão.

Seu perfil mulher desesperada é esculpido sem preconceitos, uma vez que depois de ter construção do seu próprio negócio, a mulher moderna vivida por Mônica está em busca de constituir uma família, se sentir apaixonada e viver um relacionamento estável. A produção do filme também merece aplausos, os detalhes das festas de casamento, as gravações na Bahia e o figurino da protagonista são destaques de um projeto bem desenvolvido.

Apesar de apresentar os clichês vividos pela relação homem e mulher, como a escolha da roupa para um encontro, o telefonema do dia seguinte e a consulta à cartomante, Os Homens são de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou consegue mostrar um frescor pela construção dos personagens e o enredo dinâmico. Fernanda nunca desiste ou se deixa abater por muito tempo, seu caráter está muito bem traçado, até que ela muda de postura e os acontecimentos também mudam. Depois de acompanharmos as aventuras de Fernanda, o desfecho se apresenta muito corrido, deixando os espectadores conquistados aturdidos com abrupta finalização, entretanto, cativados pelo trabalho de Mônica Martelli.

Nota: 4

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