Crítica | Toque de Mestre

Crítica | Toque de Mestre

Com a premissa de um jovem pianista retornar ao palco após cinco anos da última apresentação, Toque de Mestre cria um suspense trincado entre o protagonista (Elijah Wood) e uma voz de comando ameaçadora (John Cusack). O modelo já foi apresentado nos filmes Emboscada (2002), com Linda Fiorentino e Wesley Snipes, e Por um Fio (2002), com Colin Farrel e Forest Whitaker. O problema dessa linha de ação é conseguir envolver o público no dilema da vítima e convencê-lo da motivação do criminoso.

Diferente das outras produções que tinha as ruas como cenário e os transeuntes como testemunhas, o famoso artista Tom Selznick (Wood) está no palco tocando no raro piano de um compositor falecido à frente de centenas de pessoas. As ameaças surgem nas suas partituras e perturba o jovem rapaz, que induzido pela curiosidade segue todas as dicas do malandro golpista até colocar um ponto de escuta no ouvido e começar a dialogar com ele.

O início da história é bem manejado, Elijah Wood transmite a aflição do seu personagem, marcado por um fracasso público, em cada expressão e olhar. O nervosismo toma conta da tela e, claro, esperarmos ansiosos pelos acontecimentos dentro desse cenário de caos, uma vez que é muito fácil se identificar com personagens em momentos de grande tensão emocional.

O panorama construído, entretanto, vai desmoronando pouco a pouco, quando mais o mascarado vilão bate papo com o pianista, mais a história se distância da verossimilhança proposta e do suspense. Os coadjuvantes Ashley (Tamsin Egerton) e Wayne (Allen Leech) são apêndices para atrapalhar a narrativa e torná-la numa série de momentos tragicômicos. Os dois cumprem a função de mostrar que o ameaçante deve ser obedecido, mas é de um modo tão pouco plausível que era melhor não existirem na trama.

A principal arma de vilão é a vida da esposa de Tom, a famosa atriz Emma Selznick (Kerry Bishé). Um ponto convincente para prender a atenção e aflorar o medo do protagonista, no entanto, o único encontro do casal jovem e apaixonado é simplesmente decepcionante. O momento de tensão – nessa altura já ruim o suficiente para fazer o espectador bocejar – desaparece completamente, os atores reagem inóspitos para um casal que compartilha uma relação amorosa.

Além desse momento broxante, Toque de Mestre não consegue conduzir o desenvolvimento da história, o erro é tão grave que quando nos perguntamos sobre os reais objetivos do vilão, percebemos que ele já contou há tempos e passou como uma banalidade. A interrogativa que fica é para que bolar um plano aparentemente astucioso, se a solução para o problema era tão trivial? O suspense é só fachada para um enredo cheio de furos.

Nota: 1.5

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