Crítica | Tudo por Justiça

Crítica | Tudo por Justiça

As aparências enganam. O dito popular tem tudo a ver com Tudo por Justiça (Out of The Furnace). À primeira vista, o segundo longa de Scott Cooper, responsável pelo bem cotado Coração Louco (2009), tem tons de filme de ação, no entanto, é um drama familiar. Os irmãos Russel Baze (Christian Bale) e Rodney Jr. Baze (Casey Affleck) protagonizam uma história de vingança e é por meio desse laço de sangue que toda a trama vai se desenrolar.

Como irmão mais velho, Russel se preocupa com o caçula. Sua vida já anda bastante complicada sem as encrencas do rapaz, mas mesmo assim ele tenta saldar as dívidas do irmão e fazê-lo encontrar um emprego regular. Rodney passou quatro anos no Afeganistão em serviço, ao voltar para casa se envolve com um apostador de lutas clandestinas (Willem Dafoe) para ganhar dinheiro. Quanto mais aposta, perde. Quando luta, tem que fingir perder.

Por outro lado, Russel é sensato, mas acabou de sair da prisão após se envolver em um acidente de carro. Seu objetivo é se aproximar do irmão e trazê-lo aos eixos. Paralela a essa trama, Russel lida com a perda da sua amada Lena Taylor (Zoë Saldaña), que ao se sentir sozinha durante seu período recluso se envolve com o policial Wesley Barnes (Forest Whitaker).

A história é bem lenta e tudo ocorre de forma vagarosa. Rodney se envolve com o psicopata Harlan DeGroat (Woody Harrelson), responsável pelo sistema de lutas clandestinas e fornecimento de drogas da região, todos já sabem que boa coisa não vem daí. O filme é bem pautado e nenhum momento tenta enganar o espectador, o que é lamentável, porque a história nunca surpreende. Arrisco a dizer que desde as primeiras cenas entre os irmãos já dá para prever o desenrolar do filme inteiro.

Christian Bale mostra porque é aclamado como uma dos melhores atores desta geração com uma atuação firme e segura. Seu personagem é um cara fechado, cheio de amarguras e traumas. Apesar de hesitante em alguns momentos, ele perde o controle ao saber do destino trágico do seu irmão. Sem mulher ou família, ele põe a própria vida em risco para sentir o sabor da vingança e fazer justiça.

Tudo por Justiça tem um ótimo elenco, atuações exemplares, no entanto, não empolga. Os motivos podem ser o roteiro muito metódico ou ainda a direção contida de Cooper. O filme parece se prolongar mais do que devia e dá a sensação de cansativo. Apesar da boa qualidade, a produção parece ser mais uma na seara de dramas sobre vingança, mas sem grandes momentos de combate, explosões ou um herói para condecorar. Russel é um homem comum que perde a razão e se sobrecarrega com a culpa.

Nota: 2.5

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