Crítica | Um Conto do Destino

Crítica | Um Conto do Destino

Cultuado como roteirista, Akiva Goldsman não obteve o mesmo desempenho atrás das câmeras. Sua estreia na direção, Um Conto do Destino (Winter’s Tale), possui um elenco de estrelas, no entanto, não consegue encaixar as peças e seduzir o público com uma história mágica e intrigante pretendida pelo roteiro. Ganhador do Oscar pelo texto do fantástico Um Mente Brilhante (2001), Goldsman também é responsável pelas adaptações Eu, Robô (2004), Eu Sou a Lenda (2007) e Anjos e Demônios (2009).

Nesta adaptação do livro de Mark Helprin, a mistura de mitologia com a narrativa do mundo real não é problema, a fantasia é um dos gêneros de mais sucesso no cinema. O erro é quando a junção soa falaciosa demais e sem perspectiva de mudança. Com pinceladas de romance, terror, drama, fantasia e um cão disfarçado de cavalo alado, o longa poderia se tornar um filme mais envolvente, contudo, tudo soa disperso.

Logo de cara, o casal de protagonista não convence. Beverly Penn (Jessica Brown Findlay) é uma jovem doente, vive trancada dentro de casa e busca sempre diminuir sua temperatura por causa da Tuberculose. O fim iminente a assola. Por acaso, o cavalo mágico do ladrão Peter Lake (Colin Farrell) lhe indica a residência da jovem. Mais um roubo para o jovem malandro. Sozinha em casa, após a família viajar para o interior, Beverly surpreende o ladrão. O encontro simpático e inesperado poderia indicar o começo de uma boa e controversa narrativa.

A partir desse ponto, no entanto, os elementos da história se tornam cada vez mais monótono. O romance é morno, quase gelado. A busca do maldoso e indignado Pearly Soames (Russel Crowe) por Peter Lake se torna boba e o possível vilão nem tem força no enredo. Em uma participação especial, Will Smith como o diabo conselheiro acende um pouco a história nos seus curtos momentos, mas não consegue salvá-la.

O emaranhado de situações conta ainda com as belíssimas Lucy Griffiths (da série True Blood) e Jennifer Connelly (Ligados Pelo Amor) e o veterano William Hurt (A Hospedeira). O clima perdido da história tira o mérito de qualquer ator nessa bagunça. O filme se apresenta como conto de fadas depois ficção científica, como direito a viagem no tempo. Contudo o órfão e ladrão, Peter Lake, roda de lá pra cá sem encontrar um tom para o seu personagem, malandro, apaixonado ou herói.

Com cenas satíricas, como as de Will Smith e de um retrato feito com sangue, e de dramalhão novelesco, com o casal de protagonista, o filme derrapa na proposta desse conto de fadas sobre a existência de milagres na vida de todos e em cada esquina. Um Conto do Destino se transforma numa historinha enjoada para boi dormir, que com muito esforço tenta encontrar alguém que se sensibilize com o esquema de folhetim dramático.

Nota: 1.5

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