Crítica | A Face do Mal

Crítica | A Face do Mal

Neste primeiro semestre de 2014, o gênero terror/suspense esteve em baixa nos cinemas brasileiros. Foram poucas as produções e de qualidade bem duvidosas, como, por exemplo, os terríveis O Herdeiro do Diabo e Toque de Mestre. Para não lamentar de todo, o nacional Quando Eu Era Vivo, de Marco Dutra, surpreendeu e conseguiu defender o gênero.

Agora, A Face do Mal (Haunt) chega para desafiar a fama das produções anteriores. Os estreantes Mac Carter e Andrew Barrer tentam dar fôlego para as histórias de casas amaldiçoadas, com um início misterioso e instigante. O desespero e a angústia se apresentam pela voz de crianças do outro lado de um rádio comunicador. O pai é observado por uma assombração e a comunicação entre ele e o outro lado da vida desperta a fúria do comissário da morte. Sua queda é fatal.

A construção angustiante dos primeiros minutos vai se dissipando a cada novo segundo de exibição. Com a narração da ex-moradora (Jacki Weaver) da casa mal assombrada, sobre sua vida, sua profissão de pediatra e de dentista do marido, o nascimento dos filhos e suas consequentes mortes, o filme apresenta um panorama de poucas novidades. Afinal, uma nova família vai morar lá e ser assombrada pelos fantasmas até ocorrer a morte de alguém.

O interessante do filme é a relação entre a misteriosa Samantha (Liana Liberato) e o rapaz Evan Asher (Harrison Gilbertson), filho do meio dos novos moradores. A admiração dele pela vizinha e a desenvoltura dela ao lidar com ele são as coisas mais atraentes do filme. Por outro lado, esta é uma obra de terror, não um romance. De forma bem banal, a moça convence o rapaz a utilizar o rádio comunicador, o do início do filme, para falar com os últimos moradores mortos.

O sucesso na comunicação perturba o garoto e intriga a menina. Sam deseja saber se existe um paraíso, afinal de contas ela foi abandonada pela mãe ainda criança e apanha do pai alcoólatra. Apaixonado, Evan quer ajudá-la a alcançar seu ideal, apesar de todo o seu medo. O casal funciona, entretanto, os personagens não são bem desenvolvidos e a nossa torcida por eles é quase nula.

Os outros quatro membros da casa são meros coadjuvantes nessa história de espíritos. A irmãzinha mais nova (Ella Harris) conversa com os fantasmas (que novidade!) e deixa subentendido que eles existem, mas desaparece da trama. Já a mais velha (Danielle Chuchran) surge apenas para aumentar os temores do rapaz. Aliás, elas sempre somem quando as coisas apertam para o rapaz. E os pais? Devem trabalhar 24 horas por dia.

O desafio de filmes desse gênero é prender o interesse do espectador até o final, trazer verdadeiros temas assustadores e apresentar um desfecho plausível e, claro, surpreendente. A Face do Mal não tem nada disso. A impressão inicial é totalmente diluída até o final, além disso, a narrativa da ex-moradora Janet Morello é chatérrima. Não proporciona nem os tradicionais pulinhos de sustos na cadeira do cinema. São tantos flashbacks para explicar o desenrolar dos acontecimentos que o enredo fica enfadonho e o final óbvio demais.

Nota: 2

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