Crítica | A Marca do Medo

Crítica | A Marca do Medo

Ter uma boa ideia não garante um bom filme. Agora, mais uma produção do gênero terror busca inovar na área, no entanto, A Marca do Medo (The Quiets Ones) embaralha suas alternativas e termina com uma história bem diferente da proposição inicial. Muito mais ativo como roteirista no cinema, o diretor John Pogue (Quarentena 2) propõe uma experiência sobre como as pessoas se deixam iludir por história de fantasmas, por meio da figura Professor Joseph Coupland (Jared Harris), mas acaba transformando suas próprias teorias em história da carochinha.

Dentro da universidade, Coupland desperta o interesse e a revolta de alguns alunos a partir do seu discurso sobre a inexistência de entidades sobrenaturais ou demônios. Para provar seus estudos, ele se utiliza exemplos humanos, esse modelo de projeto incomoda as pessoas e os próprios membros do centro acadêmico. O pesquisador tenta mostrar que o ser humano é capaz de produzir energia para mover objetos e até combustão, por exemplo. Tudo isso é muito interessante, ainda mais, por ser dito, baseado em fatos reais.

Para nos dar um ar de incerteza e incredulidade, o roteiro opta por inserir o jovem estudante Brian McNeil (Sam Claflin), responsável por filmar todo o experimento do professor, como bolsista do projeto. McNeil começa cético em relação aos trabalhos de Coupland, ainda mais ao conhecer seus ajudantes Krissi Dalton (Erin Richards) e Harry Abrams (Rory Fleck-Byrne), estudantes pouco convencionais. Logo após a entrada de Brian na equipe, o professor perde o financiamento da universidade.

Com pouca verba para sustentar seus preceitos, ele conta com a ajuda dos estudantes em nome da ciência e o grupo se muda para uma casa abandonada, afastada de tudo e de todos. Brian sempre questionador começa a se interessar pelo objeto de pesquisa, a menina Jane Harper (Olivia Cooke), mantida trancada para o seu próprio bem. A sua história é contada aos poucos, ela tentou se matar depois de passar por diversos lares adotivos que a renegavam por estar sempre relacionada a acontecimentos estranhos.

O professor Coupland surge, então, como seu salvador e a faz acreditar que estão em busca da sua cura. As teorias a princípio são plausíveis e até nos empolga a crer nos poderes da mente humana e a energia presente em nosso corpo. Apesar de cada vez mais perigoso, tudo parece ser explicado cientificamente. Até que o jovem cameraman se apaixona e tenta a todo custo proteger a menina e confirmar que o professor não passa de um lunático, também apaixonado pela garota.

O relacionamento entre os cinco habitantes da casa é estranho. Krissi namora Harry, mas se sente atraída pelo professor e não hesita em dormir com ele também. A menina Jane tem visões de Eve, identificado como um espírito, um demônio, ou, para o professor, uma criação de sua mente transformada em energia. Os acontecimentos passam pouco a pouco a destoarem do campo científico e levarem o público para um ambiente de manipulação e morte.

A Marca do Medo bate bastante na tecla de como a nossa imaginação pode nos pregar peças e como tudo pode ter uma explicação racional, para isso, basta ser estudada e pesquisada. Nos últimos minutos, no entanto, tudo muda de figura, o suspense se transforma num jogo sobrenatural e com vários erros de contextualização. Os últimos segundos então acabam com qualquer ilusão de uma narrativa coerente. Decepcionante.

Nota: 2

Share this: