Crítica | Amor Sem Fim

Crítica | Amor Sem Fim

Se você viu o filme Endless Love original, de 1981, com Brooke Shields e Martin Hewitt, vai detestar esta refilmagem que modificou a história completamente, para pior. Na verdade, esta produção devia ser proibida de ser vendida como um remake, pois não tem nada a ver com o clássico romântico e eternizado pela canção tema, de Lionel Richie.

Além de ser completamente diferente, o atual Amor Sem Fim é um filminho bem chato e sem graça. Nem os amantes dos romances açucarados vão conseguir engolir o casal de protagonistas. Interpretada pela bela, mas inexperiente, Gabriella Wilde (Carrie, a Estranha), Jade Butterfield é apenas uma menina bobinha e bonitinha, sem presença ou vontade.

É melhor nem compará-la com o desempenho de Shields no original, chega a ser injusto. No passado, a inocência da personagem era conjugada com a sua sensualidade, de forma a seduzir também o espectador a acompanhar o amor obsessivo de David por ela. Aqui, o apaixonado é vivido por Alex Pettyfer (O Mordomo da Casa Branca), com um bom desempenho em Magic Mike (2012), mas com antecedentes frustrantes, como A Fera (2011). Seu trabalho irregular é posto a prova e ele nos desaponta completamente.

Escrito e dirigido por Shana Feste (Onde o Amor Está), o filme deixa de lado o drama do amor transgressor para uma rinha infantil de adolescentes entediados contra pais protetores. Podemos culpar a cineasta pela decadente produção e a discrepância dos acontecimentos. Na nova história, David decide, no dia da formatura, que devia ter falado com Jade durante os últimos quatro anos, mas deixou passar a oportunidade. Agora, durante as férias, ele tenta se aproximar da garota rica, enquanto a menina busca viver como os outros adolescentes, afinal a morte do irmão mais velho a privou de aproveitar a vida.

O início da história é bem parecido com a do clássico Digam o que Quiserem (Say Anything, 1989), de Cameron Crowe, com John Cusack e Ione Skye. Sinceramente, o filme inteiro se parece bem mais com esse do que com Amor Sem Fim (1981). A cineasta deve ter se inspirado bastante nessa proposta, mas mesmo assim, não consegue ter o mesmo carisma e charme da produção Crowe. O principal elemento de um romance é ter um casal instigante e identificável para os espectadores, sem isso o enredo não chega a lugar algum.

Nas mãos de Feste, toda a trama é perdida, as emoções são fracas e nenhum envolvimento é devidamente construído. No primeiro filme, Jade era mais nova, mas o relacionamento entre o casal era muito mais intenso, tanto que afrontava o pai da moça e seduzia a mãe, a tal ponto de ficarmos em dúvida sobre os sentimentos da matriarca pelo namorado da filha. Na atual conjectura, tudo é muito raso, pouco planejado e mal desenvolvido.

A narrativa apresenta um casal sem graça dando beijinhos e passeando de mãos dadas. Um pai (Bruce Greenwood) possessivo e preocupado com o futuro profissional da filha, enquanto esnoba a esposa (Joely Richardson). Um irmão coadjuvante (Rhys Wakefield) sem função no enredo e que serve para destacar a péssima qualidade do elenco. A miscelânea de Feste é um monte de pontos abandonados. Por exemplo, existe um problema de relacionamento entre os pais de Jade, entretanto, o assunto é totalmente obliterado no final.

Amor sem Fim parece um filme B romântico feito com baixo orçamento e para a televisão. A produção ainda tenta emplacar uma mensagem de lutar por um amor, entretanto, a gente não vê e muito menos sente esse sentimento ao acompanhar o longa. Uma das piores “refilmagens” dos últimos anos.

Nota: 1

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