Crítica | Jersey Boys: Em Busca da Música

Crítica | Jersey Boys: Em Busca da Música

Apenas por ser uma produção moldada pelas mãos do astro Clint Eastwood, Jersey Boys: Em Busca da Música já merece a atenção do público. Para os céticos de plantão, não é somente o nome por trás da obra que se destaca. Com um elenco de artistas desconhecidos, exceto Christopher Walken, o longa é uma ótima cinebiografia que homenageia uma das grandes vozes da música mundial com um bom jogo de intrigas e bastidores.

Longe de ser um musical, o filme apresenta um tom documentativo no qual os próprios personagens contam sua trajetória para câmera, enquanto traçam o seu percurso narrativo. Desse modo, os protagonistas encaminham o olhar do público e colocam em evidências pontos de ebulição de uma história cheia de intrigas, disputas e transgressões. De garotos desajustados do subúrbio de Nova Jersey para as paradas de sucesso na década de 1960, o quarteto teve muitas reviravoltas e obstáculo para subir e continuar no topo.

Como toda formação de bandas, a escalada de The Four Seasons garante um ótimo entretenimento e aguça a curiosidade dos espectadores. Conhecer a história por trás de uma música pode ser mais intrigante que ler uma romance. Afinal, o compositor está sempre cercado pelos assuntos que o interpela: um momento ou uma frase. Essa construção dos hits cantados até hoje é um inebriante espetáculo para o público.

A curiosa relação entre os irmãos Tommy DeVito (Vincent Piazza) e Nick Massi (Michael Lomenda) com Frankie Valli (John Lloyd Young) e a crucial entrada de Bob Gaudio (Erich Bergen) são ótimos pontos do enredo, pincelados para prender o espectador. Com a sua experiência no teatro, Lloyd Young entrega toda sua voz e expressões a fim de tecer uma brilhante interpretação de Valli.

Apesar da ascensão do vocalista, todos os integrantes têm a sua voz e participação importante na construção da história. A escolha pela narrativa, por vezes, não linear aumenta a carga dramática paulatinamente. Sem nunca cair para o lado do dramalhão, mesmo nos momentos de maior intensidade emotiva. Outro ponto importante é a construção das ruas de Nova Jersey como um personagem na trama, assim como a ascendência italiana dos três rapazes, e sua relação com a máfia local.

Quando o personagem Bob Crew (Mike Doyle) entra em cena, o filme cresce tanto pelo pontapé inicial da carreira dos rapazes, quanto pelo bom desempenho do ator. Ele constrói o produtor musical de maneira divertida e ao mesmo tempo durona, sendo um dos grandes nomes por trás do sucesso. Assim, nascem os hits – hoje clássicos – Cherry, Big Girls Don’t Cry, Walking Like a Man e crescem os interesses, as divisões, os problemas pessoais.

Tudo é acompanhado com ímpeto para o ápice do estrelato e a derradeira reunião de conciliação, orquestrada por Frankie com o mafioso Angelo ‘Gyp’ DeCarlo (Christopher Walken) e os outros três membros. Como a música é a principal atração da trama, o envolvimento do grupo com a máfia é tratado com parcimônia e de modo mais engraçado do que perigoso.

O diretor conseguiu extrair o melhor dos quatro rapazes estreantes no cinema. Seu ótimo trabalho é perceptível até pela maturação dos personagens ao longo da trama. Os olhares inocentes de Erich Bergen e John Lloyd Young, por exemplo, vão se tornando pesados e cansados até o final. Após acompanhar o drama e as escolhas equivocadas de Frankie, somos brindados com o nascimento da canção mágica, eternizada em milhares de vozes – de Lauren Hill a Muse -, Can’t Take My Eyes Off You. Os amantes da música e do cinema vão apreciar bastante mais esse espetáculo de Eastwood.

Nota: 4

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