Crítica | Não Aceitamos Devoluções

Crítica | Não Aceitamos Devoluções

Cunhado pelas mãos do comediante mexicano Eugenio Derbez, Não Aceitamos Devoluções (No Se Aceptan Devoluciones) é uma mistura de comédia pastelão com dramalhão à altura das novelas mexicanas. O filme começa de forma leve e jocosa, com figurinos, situações e textos propícios para as produções mais sem graça de Adam Sandler (Gente Grande 2).

Na trama, o mulherengo e irresponsável Valentín (Eugenio Derbez) vive de pequenos casos amorosos com turistas de Acapulco. Até que um dia, a norte-americana Julie (Jessica Lindsey), uma das suas ex-amantes, bate à sua porta e pede para cuidar de um bebê, enquanto vai pagar o táxi. Surpresa! A mulher não volta e liga para pedir que ele cuide da criança, que também é sua filha. Desesperado, Valentín tenta atravessar a fronteira dos Estados Unidos e devolver a menina para mãe.

Todos os acontecimentos da primeira parte do filme são estereotipados. O roteiro ressalta o preconceito dos próprios mexicanos sobre si e acumula piadas pobres, por exemplo, uma mulher diz que vai fazer exame de próstata para sair de cena. Quando a primeira parte do filme acaba, agradecemos pelo final da tortura de programa de quinta categoria e passamos para o amadurecimento da história, a partir da nova vida de Valentín com a filha nos Estados Unidos.

Como é uma comédia, a gente aceita que um imigrante ilegal seja um dublê bem remunerado de Hollywood e que leve uma vida confortável e divertida com a filha de sete anos Maggie (Loreto Peralta), a qual criou sozinho durante todo esse tempo. Além disso, para compensar a falta da mãe, Valentín criava histórias mirabolantes, sobre missões para salvar o mundo, e a menina sempre acreditou em cada linha das cartas escritas pelo pai.

A pequena Loreto Peralta é alma de Não Aceitamos Devoluções. É ela que encanta o público e transforma as cenas de humor em momentos realmente engraçados e faz os olhos dos espectadores ficaram marejados nas sequências emocionantes. Vale ressaltar que o diretor e protagonista queria um menino para o papel, no entanto, encontrar uma criança bilíngue era uma tarefa bem difícil, até surgir a pequena Loreto e mudar a perspectiva da história. Não sei como ficaria com um menino, mas a garotinha é excelente.

Como uma boa novela, a mãe da menina resolve reaparecer e o roteiro implanta um mistério de uma possível doença de Valentín. O reencontro entre mãe e filha, as expectativas da menina e a descoberta das mentiras do pai são vividas de forma intensa pela atriz-mirim. Os seus olhos e sorrisos são de amolecer o coração de qualquer e, por isso, o longa deve ter tido uma boa aceitação do público norte-americano.

O enredo, entretanto, volta a desandar quando Julie, agora uma advogada de sucesso em Nova York, reivindica a guarda da filha. Valentín luta como pode, isto é, com o lado emocional à flor da pele, para permanecer com a menina. A vida, no entanto, é injusta, prega peças e termina de maneira abrupta. Não Aceitamos Devoluções é um sobe e desce de momentos bons e ruins, consegue entreter o público, mas promove um desfecho dramático demais para carga de humor empregada durante toda a projeção. Destoa.

Nota: 2.5

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