Crítica | O Espelho

Crítica | O Espelho

O gênero terror tem sido mal tratado pelo cinema atual. Poucos diretores conseguem aterrorizar o público, instigá-lo ou assustá-lo de fato. Como sabemos grande parte do medo do ser humano está no desconhecido, naquilo que não se vê e, principalmente, na imprevisibilidade dos acontecimentos. Não é à toa que o maior motivo de angústia das pessoas é o futuro. Criar esse tipo de ambiente não é fácil, ainda mais quando temos a sensação de que tudo já foi dito ou feito antes.

Agora surge uma leva de produções focadas em desvendar o inexplicável. Com toda tecnologia a disposição das pessoas – câmeras, filmadoras, celulares – é quase impossível uma fantasma ou entidade maligna permanecer escondida. Em O Espelho (Oculus), um casal de irmãos tenta provar que os terríveis acontecimentos da sua infância foram motivados pela presença de um espelho amaldiçoado em sua antiga residência.

Tim (Brenton Thwaites) acaba de sair de um centro de tratamento psicológico, onde passou os últimos 11 anos. Ao encontrar a sua irmã Kaylie (Karen Gillan), o médico o adverte a tomar cuidado com a indução dela sobre o passado, pois ela teve que suportar tudo sozinha durante esses anos. Apesar do tempo e do amadurecimento, Kaylie não esqueceu nenhum dia da promessa de destruir o espelho. Aliás, passou grande tempo pesquisando a origem do objeto e seu paradeiro após a tragédia familiar.

A jovem traça um plano brilhante para destruir a maldição e conta com ajuda do irmão. Com o aparato de câmeras, computadores, geradores, cronômetros, estoque de comida, Kaylie parece ter tudo sobre controle. Seu retrospecto de mortes originadas pelo espelho é interessante e o duelo psicológico entre os irmãos empolga a princípio. Tim está convencido de que o fator sobrenatural do seu passado nada mais é que fruto da sua imaginação e busca encontrar uma explicação racional, enquanto Kaylie relaciona coincidências estranhas como evidências.

O embate entre o real e imaginário é um dos melhores propagadores do medo, a nossa mente pode ser a nossa pior inimiga. Até boa parte do enredo, tudo leva a crer que se trata de uma psicopatia da irmã, no entanto, suas teorias começam a ter fundamento na história. A trama se divide em dois tempos narrativos: o passado, de 11 anos atrás, quando os irmãos ainda crianças e se mudaram para trágica casa, e o presente, novamente na antiga casa, agora monitorada por câmeras e alarmes.

A construção da influência do espelho é desenvolvida por meio dos pais Alan (Rory Cochrane) e Marie Russel (Katee Sackhoff). No passado, a mãe se tornou cada vez mais miserável por causa da mudança de comportamento do marido, obcecado pelo trabalho, e a possibilidade de outra mulher na vida dele. A narrativa daquela época acaba com o embate entre ilusão e realidade e coloca o filme inteiro numa perspectiva sobrenatural, na qual alguma coisa no espelho engana os personagens todo o tempo.

Não ter certeza sobre quais são os momentos de realidade pode ser empolgante no início, entretanto, quando a narrativa da infância se mistura com a do presente, o filme se torna uma embromação sem fim. As cenas parecem repetitivas sem chegar a objetivo algum, o que torna o processo cansativo. O mais frustrante é ver o desfecho da história ser exatamente aquilo que nós esperávamos: os irmãos estão lutando contra o passado. O roteiro opta por desfazer as melhores partes da trama e termina com uma conclusão rasa.

Nota: 2.5

Share this: