Crítica | Paixão Inocente

Crítica | Paixão Inocente

Aos que assistiram Totalmente Apaixonados (Like Crazy, 2011) e se encantaram, como eu, havia uma expectativa pelo reencontro do diretor e roteirista Drake Doremus e a atriz Felicity Jones. Para a frustração dos fãs, Paixão Inocente (Breathe In) não possui a mesma vivacidade e encantamento da obra anterior. Por outro lado, passeia novamente entre os questionamentos de momentos lúdicos e reais dos relacionamentos.

A semelhança entre as duas produções também pode ser sentida na personagem de Felicity Jones. Novamente, a atriz interpreta uma estudante de intercâmbio vinda da Inglaterra. Dessa vez, na pele de Sophie, ela se hospeda na casa da família Reynolds, formada pelo casal Keith (Guy Pearce) e Megan (Amy Ryan), além da filha Lauren (Mackenzie Davis). Recepcionada no aeroporto, a jovem é bem recebida pelos três e começa a se interar dos problemas velados na residência aparentemente perfeita.

Doremus trabalha muito bem as sensações e as observações de cena. Por meio de pequenos detalhes em diálogos, olhares, objetos, ele começa a traçar uma teia de desencontros e mal-entendidos que desencadeia um grande abalo emocional aos envolvidos. O filme começa com a preparação para uma foto em frente à casa, a imagem captada da tradicional família norte-americana, antes da chegada da nova moradora. É um momento simbólico para toda a trama.

Sophie é uma personagem misteriosa, ela esconde suas reais motivações para o intercâmbio e age sem medir as consequências. Sua personalidade é uma mistura de ingenuidade e calculismo. Ao lado da doce e apaixonada Lauren, Sophie se destaca por causa do seu perfil mais maduro, enquanto a filha dos Reynolds é uma adolescente insegurança e presa a sua paixão não correspondida por Aaron (Matthew Daddario). Imagina a frustração da menina quando o bonitão da escola começa a se interessar por Sophie.

Do outro lado desse esquema está o chefe da casa Keith, professor de música, mas aspirante a uma cadeira na Orquestra Filarmônica de Nova York. Atualmente, ele é apenas um músico substituto do grupo, no entanto, a abertura de uma posição permanente reacende suas esperanças. A novidade não agrada a esposa que não quer mudar para cidade e deixar a vida tranquila do subúrbio. O casamento parece começar a sufocar os sonhos do protagonista.

Aos poucos, Sophie se mostra uma exímia pianista e compreensiva ao dilema de Keith. A música aproxima cada vez mais a menina do pai de família e todo mundo já sabe onde tudo isso vai parar. De forma sutil, Guy Pearce consegue conduzir um personagem fechado em si mesmo para um cara abobalhado com o surgimento de uma nova paixão. Seu sorriso e olhar denunciam como ele está envolvido pelos encantos da forasteira.

A beleza clássica de Felicity Jones contrasta com a beleza juvenil de Mackenzie Davis e ganha a disputa no quesito sedução. Enquanto Lauren se comporta como um rostinho bonito carente por atenção, Sophie aposta no charme e parece disposta a conquistar um homem casado para fugir dos seus próprios tormentos.

É criada uma grande tensão entre as jovens e um triângulo amoroso entre o casal e a menina. Apesar das ótimas atuações, a sensação final é de muito barulho por nada. Os personagens correm e pulam obstáculos para morrerem no meio do caminho. Tudo é insinuado, desejado, quase conquistado, mas no ápice das resoluções, Doremus joga uma balde de água fria no espectador e o põe de volta a uma realidade sem grandes emoções.

Nota: 2.5

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